No ofício de historiador um conjunto de materiais pode se traduzir em fontes
documentais para o desenvolvimento do seu trabalho. Entre elas, destacam-se:
inventários, imagens, material iconográfico, relatos orais, coletânea de leis,
música, literatura, biografias, jornais, entre tantas outras. Cada tema/objeto
proposto para investigação determina a seleção das fontes e o meio de se
trabalhar com elas. Contudo, neste momento, nossa reflexão se limita ao uso do
jornal como fonte para a pesquisa histórica.
Quebrando barreiras e preconceitos no meio acadêmico o jornal tem se imposto
como fonte documental na realização de pesquisas na área de História,
sobretudo, no desenvolvimento de trabalhos que elegem como objeto de
investigação a história do cotidiano e/ou das representações sociais pois, se
constitui em uma das fontes mais ricas e densas em informações e idéias que
podem se tornar objeto de reflexão por parte dos historiadores e,
consequentemente, contribuir para a produção do conhecimento.
Embora não seja elaborado para servir como fonte documental para os trabalhos
de pesquisas desenvolvidos nos centros acadêmicos, o jornal registra as idéias
e os valores da cultura na sua diversidade e contradições, tem uma forma
peculiar de observar e relatar o cotidiano da sociedade produzido o registro do
fazer coletivo e de individualidades que se traduz na história imediata. Possui
uma linguagem produtora de significados e, na busca de garantir uma
objetividade pragmática frente ao leitor, trabalha com o conceito de verdade já
que a notícia necessita de provas.
Aos que contestam a validade do texto jornalístico como fonte de pesquisa
alegando a falta de objetividade do mesmo já que, as notícias e os editoriais
podem representar um olhar sobre o fato ou acontecimento que, de alguma forma,
transmite a ideologia de seus redatores, vale destacar que as notícias e/ou os
editoriais são construções sobre os fatos que tem implicações ideológicas como
todo e qualquer documento. Vai longe o tempo em que as preocupações do
historiador se restringiam ao acontecido, ao fato em si.
Atualmente, o que importa e merece ser objeto de análise são as representações
sobre o fato, afinal, todo e qualquer documento nunca é o resultado de uma
situação histórica dada, mas sim o produto da representação social que se tem
sobre ela.
Não se pode falar de uma verdade absoluta no campo da história, mas sim de
verdades relativas. Mesmo trabalhando com a mesma documentação, pesquisadores
diferentes podem chegar a resultados totalmente distintos sobre o mesmo objeto.
Isso não significa necessariamente que um dos autores tenha distorcido os
fatos, mas revela que na interpretação dos documentos há sempre elementos de
subjetividade. Soma-se a isto o fato de que, o documento sofre influências
subjetivas no próprio momento da sua produção e nem sempre é possível ao
historiador reconstituir as condições em que ela ocorreu e a que interesses
atendia.
Para finalizar, resta-nos ressaltar que além de servir como fonte para a
pesquisa histórica, o jornal pode através de seus editoriais, provocar mudanças
de rumos em políticas públicas desenvolvidas na comunidade local, regional e
nacional ao apresentar suas posições e pode servir como elemento importante
para a discussão de temas e problemas que emergem do cotidiano da população ao
abrir espaços para a publicação de artigos de autores que se dispõem a refletir
sobre eles.
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