A imprensa é o meio pelo qual o cidadão recebe informações dos mais variados
assuntos. É um ecletismo de idéias, críticas e de notícias. A imprensa é
indispensável aos que buscam informações das mais variadas áreas do nosso
cotidiano, seja naquilo que acontece em nossa Cidade, no Estado ou no Mundo.
É graças a imprensa que recebemos informações do que acontece na esfera
social, política, econômica, filosófica e cultural do dia dia, precavendo-nos
dos males, dos perigos que nos cercam.
É ela a responsável, pelo elo de ligação entre a sociedade e o governo, entre
os comandantes e os comandados, entre o culto e o inculto, refletindo as
reações e contrastes sociais e culturais, levando informações prazerosas e
angustiosas. Ela às vezes contraria interesses, mostra a verdade, a culpa e às
vezes, agride, com crítica ácida, aqueles que devem satisfação ao povo.
Também às vezes é vítima daqueles que não assumem o que dizem, dos
oportunistas de plantão, mas sempre, de uma forma ou outra, resgata a verdade,
reparando os erros e trazendo os acertos, sempre, para equilibrar o bom Juízo
de valor, respeitando e lutando, por tudo aquilo que deve vir a público, com o
fim único de informar as pessoas, seja ela graduada ou não, ajudando a
transformar a sociedade civil.
INDEPENDÊNCIA
Nesse contexto, está a mola propulsora do jornalista, que no dia dia, busca a
notícia, informações e tem coragem de publica-las. O verdadeiro jornalista,
analisa, e até releva, mas não omite-se, divulga a notícia como ela é,
independente de contrariar interesses, porque a notícia de interesse público, é
obrigação do jornalista publica-la na sua integra, com análise e crítica.
O jornalista é intelectual por excelência, e está cotidianamente com o povo,
com as circunstâncias da vida, daí sua sensibilidade, em discernir o que é
verdadeiro ou não. Existem correspondentes, que embora longinqüo, conseguem
passar a realidade dos fatos, como se esses fizessem parte da vida do leitor.
Tudo graças a sensibilidade do que acontece e de quem recebe a notícia.
Consegue ainda traduzir culturas, seja ela de onde for. É só lembrar o saudoso
Geraldo de Mello Mourão, que soube transmitir a realidade da vida da sociedade
chinesa, como se a china fosse nossa vizinha. "Responsabilidade não pode ser
torpedeada" Também a estupenda capacidade do autodidata, Maurício Tractemberg,
que sabia como nunca fazer análise econômica, indo com sua redação, no íntimo
daquilo que o povo realmente achava e queria que mudasse. Isso tudo durante uma
ditadura militar.
A imprensa constrói, mas vigia sua obra, e quando ela não corresponde a sua
arte, ela também faz ruir o desvio de sua finalidade. Isso tudo, porque seus
interesses, sempre e na maioria das vezes está o povo, mais precisamente os
seus fieis leitores.
MOBILIZAÇÃO
Por isso, quando o Estado está um caos, ela ajuda a mobilizar o povo contra a
tirania ou a omissão dos governantes, mas quando o "salvador da pátria" deixa o
seu legado, a imprensa é a primeira a levantar a bandeira pela renovação. Hoje
existem organismos de esquerda, que no passado tiveram apoio da imprensa, mas
após descobrir que eles não estavam cumprindo sua função social a altura,
começam a ser cobrados, como é o caso do MST, com suas cooperativas e seus
métodos censuráveis.
Da mesma forma, o presidente Collor recebeu apoio da imprensa, como uma saída
para resolver os problemas do País, após um inflação galopante deixada por
Sarney. Mas, quando vieram os escândalos do PC e outras maracutaias, ela mais
que depressa, se juntou a outros órgãos, juntamente com o centenário jornalista
BARBOSA SOBRINHO, e foi às ruas com os "caras pintadas", buscando uma solução
para uma governância ética no País.
Essa responsabilidade pública, não pode e não deve, ser torpedeada por
interesses mesquinhos, porque ela forma opinião, mas também cria valores, mas
desmascara falsos valores.
Esse legado é basilar numa sociedade moderna, que acompanha e julga o que é
escrito, falado ou televisado. São os fatos que estão sempre na vanguarda do
cotidiano das pessoas, que são trazidos ao conhecimento de um público maior. As
autoridades acompanham, analisam, e quando chamados a julgar também julgam.
Julgam, dentro do critério do senso democrático, do senso da Justiça, que
disciplina e regula nossa Lei de Imprensa.
LEI DE IMPRENSA
Lei que foi editada num contexto político de exceção constitucional. Mas mesmo
assim, resguardou os interesses e direitos da sociedade ser informada. Graças
aos grandes juristas defensores dessa lei, como Darcy Arruda Miranda, Silva
Romero e outros, que defenderam obstinadamente essa norma legal, ela hoje é
motivo de orgulho em nosso País. Pois, hoje podemos dizer que temos uma
imprensa livre, que leva aos povos as informações em todos os seus rincões.
Muitas lutas, muito sangue foi derramado em nossa terra, desde Libero Badaró,
que foi morto nas noites das garrafadas em São Paulo, visando externar
indignações, para buscar a realização de um ideal.
Um ideal de liberdade, que veio nos beneficiar no século XX e este que agora
se inicia. Outros golpes a imprensa sofreu, como a morte de Vladimir Herzoq e
outros, mas ela se manteve incólume em seu ideal de informar, mesmo
contrariando o general Newton Cruz e Cia Ltda.
Hoje ainda somos vítimas de facções reacionárias que querem calar a voz da
imprensa, mas ela vai continuar forte, imperiosa, contra esses falsos
democratas, e preconceituosos e pseudo idealistas, que não sabem conviver com a
crítica, com a análise e liberdade de expressão.
"vamos achar caminho da democracia"
Como já dito, os preconceituosos de plantão, ora simples leitores, ora
investidos em cargos, subjugam os ideais democráticos. Ou se não subjugam,
apedrejam o que não conhecem ou não gostam subjetivamente. São contra a
liberdade de imprensa. Ou tem medo do papel por ela desempenhado.
FALSA IDEOLOGIA
Também existem os falsos ideológicos, que são fisiológicos, que buscam de uma
forma ou de outra, minar a importância da imprensa no contexto social e
político.
A imprensa contraria interesses, vaidades pessoais e outros desvios
psicológicos, que nem Freud explica, isso porque, ela não se serve a massagear
ego de ninguém, muito menos aqueles que querem ser o que não são, pois, apenas
querem usurpar do prestígio de pertencer a ela, querendo na verdade se promover
em outras áreas profissionais, que não o jornalismo.
Por isso, existem os pseudo jornalistas, que de forma repugnante e
oportunista, aproveitam-se dela, para se promover em outras áreas que não da
imprensa, visando o interesse pessoal e profissional, ofuscando o interesse
público, que é o dever de informar e criticar àquilo que realmente deve ser
divulgado.
Imprensa existe para divulgar aquilo que interessa ao povo, e não a si
próprio. É divulgando com a transparência a realidade, que não oculta o que
interessa a sociedade.
Por isso, a luta deve continuar, visando a mantença da liberdade de expressão,
e com responsabilidade mútua, é que vamos encontrar um caminho real da
democracia, com responsabilidade, de quem escreve, de quem lê, de quem
interpreta, e até de quem acusa e julga aquilo que foi escrito, porque a
imprensa é algo amplo, profundo, e para ser criticado, a pessoa tem que ter
isenção, porque obra intelectual, deve ser respeitada por todos, e é claro,
ninguém está acima do bem ou do mal, mas um pouco de sabedoria, reflexão e
isenção, não faz mal a ninguém.
A imprensa está inserida no contexto social, onde existem pessoas de todos os
tipos, princípios e ideologias. Ela se depara com o que tem de bom e ruim.
DEFORMAÇÃO
Pessoas chantagistas, aliás que sobrevivem disso, têm na chantagem a arma
contra sua intimidade, o que portanto, não significa que estas não estão
emaranhadas na sujeira da nossa sociedade. A deformação mental de algumas
pessoas tentam estancar o papel da imprensa, encurralando-a, com pressões, com
aventuras jurídicas, buscando calar sua voz. Talvez porque os lixos da
sociedade não estão conseguindo aparecer nela com outra maquiagem, podemos
dizer, outra cara. Alguns representantes de alguns órgãos tentam usar a
imprensa, para dela usufruir pessoalmente perante seus superiores. Assim é a
imprensa, que tenta barrar vaidade doentia de alguns, para não ter desvirtuado
seu papel de informar. Ela não pode dar lugar para a vaidade pessoal, para o
falso puritanismo de alguns, sob pena de servir de veículo de manobra de
chantagistas e criminosos, travestidos de pessoas de bem. No tocante a labuta
diária na defesa da liberdade de imprensa, mormente em Marília, é fácil
verificar pessoas desajustadas, que não encontram um lugar natural na
sociedade, daí todo o recalque que os cercam, porque são podres e não suportam
seu próprio cheiro.
Algumas pessoas criticam o Jornalista, criticam o Jornal, porque não gostam de
sua linha editorial, algumas isentas, têm razão, outras não isentas, imbuídas
de seus objetivos censuráveis, propagam inverdades e assaques contra as
informações. É a polêmica, assim como acontecem nos grandes jornais e revistas,
que também são elogiadas ou criticadas.
Esse é o jogo da liberdade, que tem que ter um filtro natural daquilo que
ouvem ou lêem. As facções integram qualquer sociedade, a supremacia de uma
delas, só existe se a maioria do povo estiver com ela. A imprensa tem que estar
atenta para as fábricas de boatos, as simulações de fatos e acontecimentos.
PERFIL
E na palavra do renomado mestre Darcy Arruda Muranda, que encontro a melhor
sensatez, que deve revestir um profissional de imprensa, quando ele diz:
"Jornalista, no seu magnífico sacerdócio, deve ser sereno como um juiz, honesto
como um professor e verdadeiro como um justo.
A liberdade que se lhe outorga, através de preceitos constitucionais e de lei
ordinária, é tão grande como a responsabilidade que lhe impõe o dever de
compreendê-la e aplicá-la. Errar, só de boa fé." Continua o mesmo mestre "A
rapidez nas informações, as exigências da vida atual, turbilhonaria e
febricitante, obrigam, muita vezes, o jornalista a noticiar um fato sem a
prévia confirmação". "O gosto do sensacional e o prazer do "furo" jornalístico
devem sofrer as restrições que o bom senso indica e o momento ou as
circunstâncias comportem. A opinião pública, definida como aquilo que pensa o
povo em geral "Littré", ou o acordo dos espíritos sobre todas as coisas que
interessam aos homens, é instável como as nuvens, variável como o tempo e
despertável como
o vento.
A imprensa nem sempre a interpreta, condu-la. E nesta orientação está a sua
maior responsabilidade, a sua grande missão".
Por isso, nesta data comemorativa, onde se faz uma retrospectiva da imprensa
de Marília, é que devemos nos refletir sobre o papel da imprensa, a postura do
jornalista, bem como buscar discernir o que é de interesse público ou não,
filtrar os impulsos, estancar os maus intencionados com a verdade, atender aos
anseios dos leitores éticos, visando um caminho de paz e fraternidade,
contribuindo para o progresso de nossa jovem cidade, bem como contribuir com
nosso País, fortalecendo a cidadania construtiva, desarraigada de vícios e
fisiologismos, porque a imprensa sem conhecer os problemas sociais e
sociológicos do meio em que vivemos, não passa de um veículo estéril, portanto
em nada contribui para o sucesso e evolução dos nossos povos.
Aos jornalistas de Marília, desde os pioneiros, como Anselmo Scarano, até seu
sucessor José Ursílio, os parabéns porque estes, integram juntamente com
outros, a história da imprensa de Marília, e com certeza cumpriram e cumprem
seu sacerdócio, que é a missão de informar com seriedade e coragem. (Waldir
Dias Payão, advogado)
|