Além de transformar o jornal em um dos principais arquivos da Comissão de
Registros Históricos de Marília, o Diário sempre manteve seções e colunas para
manter a história da cidade em discussão. A principal delas é a coluna Vitral,
do jornalista Anselmo Scarano, o Penaforte, publicada aos domingos, mesmo dia
em que circula também a coluna Raízes, da professora Rosalina Tanuri, que
transformou os artigos em um livro.
A iniciativa do Diário ganhou força na década de 90, com a colaboração de um
dos maiores historiadores da cidade de Marília, o cartorário Paulo Lara. Ele
publicou crônicas sobre a história do município de 1993 a 1998, quando se
afastou por motivo de saúde.
Sem interromper a proposta, o Diário manteve o espaço aberto, sendo retomado
pela secretária de Lara, Rosalina Tanuri. Ela escreve na coluna "Raízes" até
hoje.
Segundo o vice-presidente da Comissão de Registros Históricos, Antônio Augusto
Neto Filho, a oportunidade de divulgar fatos ou personalidades da história do
município é imprescindível.
"Diria que se não fosse o Diário, nossa luta por manter viva nossa história
seria muito difícil, pois é carente as opções que dispomos para difundir a
história de Marília", comentou.
Para ele, a Comissão faz o papel de reconstituir, pesquisar e preservar os
acontecimentos que promoveram desde o surgimento até o desenvolvimento de
Marília.
"Mas história não se guarda, e sim se lembra e se reconta, daí a importância
do Diário em divulgar os fatos que recontam a origem e formação do município,
cumprindo não só uma função jornalística, como também um papel cívico à
sociedade", disse.
Rosalina Tanuri, afirma que seus textos falam sobre a vida cotidiana das
primeiras décadas de Marília. "Não participei dos fatos políticos de Marília,
mas presenciei cenas e fatos que marcaram época", disse.
Os artigos de Rosalina situam uma época passada da cidade, mostrando como era
o centro comercial, como se ergueu o município e de que maneira viviam os
cidadãos marilienses.
"Lembro, por exemplo, da canalização do córrego que passava pelo que hoje é a
rua 15 de Novembro, os dutos eram tão grandes que cabiam um adulto em pé",
lembra.
Para ela, remontar histórias do cotidiano faz despertar o interesse do leitor
e resgatar a memória do município. "Como saber sobre a existência de uma forte
colônia judia em Marília, por volta da década de 40 e 50, e, que hoje não temos
mais judeus residentes", disse.
Rosalina nem sempre escreveu assiduamente sobre a história de Marília. A
paixão pela cidade surgiu quando era secretária de Paulo Lara. "Fui contagiada
por ele e hoje não vivo sem isso", afirmou.
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