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Marília, 5 de Janeiro de 2009 Assine o Diário Anuncie no Diário Expediente Fale Conosco
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XIII - Juiz federal critica lei da mordaça

"Escoteiros das liberdades públicas". Esta é a definição do juiz federal Fernando David Fonseca Gonçalves, da 3ª Vara Federal de Marília, para a atuação daimprensa em divulgar denúncias, principalmente em relação a administração pública no país. Ele condena a pressão para tirar dos meios de comunicação o direito a noticiar escândalos, desvios e fraudes públicas.

"Não pode haver censura prévia", avalia o juiz, referindo-se à chamada Lei da Mordaça, que impede autoridades de divulgar informações sobre investigações.

Fonseca disse que existem abusos, "como qualquer atividades humana", mas lembra que existem mecanismos jurídicos aos quais a pessoa que se sentir agredida pode recorrer contra quem exagerou.

"Não pode haver cerceio, em tese, antecipado dessa atividade, que é importantíssima para a democracia. Se depois, abusos são cometidos pela fonte da informação, ou do jornalista ou editor, esses vão responder civil e criminalmente pelo agravo ou decoro da honra das pessoas que sentirem-se atingidas."

O juiz considerou política a discussão sobre a implantação da Lei da Mordaça. "O que isso pretendia? Acabar com o denuncismo? Acabar com o denuncismo coisa nenhuma. O que se pretendia era, politicamente, evitar uma imediata repercussão de uma investigação embrionária, que está no início."

Mas reconhece a preocupação pelo lado dos políticos quando informações, mesmo sem estar sob sigilo de processo, vão a conhecimento público ainda no início das investigações.

Segundo ele, o problema está no fato de que o acusado pode ser vítima de uma exposição negativa na mídia, antes mesmo de saber se a investigação tem realmente fundamento.

O juiz não desmerece o apoio da imprensa investigativa mais esclarece que existem orgãos especialmente incumbidos da tarefa de apurar as denúncias, como a polícia e o MP.

"Que não se evite que esses atos todos venham à tona, mas que sejam investigados notadamente pelos orgãos que estão incumbidos profissionalmente desta tarefa, a imprensa pode ajudar, e deve."

 
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