A grande maioria das ações é movida por políticos, com ou sem mandato.
Geralmente são protocoladas ações aos pares: "denúncia" de crime de calúnia e
pedido de indenização. A derubada de uma torna-se forte argumento na absolvição
para a outra.
A linha geral de defesa tem sido mostrar que o jornal não ataca pessoas, não
discute questões individuais. Tanto que não cobre casos de suicídio, não
noticia crise de empresas até que elas sejam casos judiciais públicos ou de
fiscalização de órgãos competentes.
O Diário não publica críticas diretas contra empresas sem que elas passem pelo
Procon ou Justiça, como não divulga denúncias de erros médicos que não tenham
sido registrados e estejam em investigação pela polícia, Conselho de Medicina
ou órgão afim.
O Diário tem sido processado por vereadores, ex-vereadores, ex-assessores que
ocuparam cargos de confiança na prefeitura ou em órgãos estaduais. Tem
denunciado o que considera erros de moral e ética ou até fraudes e desvios
cometidos por estas pessoas nos cargos públicos. E não deixa de emitir opinião
sobre os casos de interesse público. A resposta é ação judicial.
Mas há pior. Há casos como o de Arineu Zocante, dono de uma nada invejável
longa ficha criminal com muitas condenações, acusado por uma autoridade de
cometer vários crimes.
Pois a entrevista virou processo. Arineu diz ser caluniado pelo jornal que
publicou parte de sua ficha e as declarações da autoridade. Descabido. Outro
exagero surgiu em uma ação de indenização contra as quatro linhas da coluna "Há
30 Anos", que reproduz reportagens publicadas pelo jornal. Não há novos textos,
não há opinião. Há 30 anos notificou-se que um homem teria cometido suicidio na
cadeia. Não houve ação na época. Agora a família processa o jornal. Quer
indenização. "Preocupa neste quadro que os processos muitas vezes perdem
direção técnica e legal e passam a ser simples reação contra o jornal, vontade
de calar o jornal, não de cumprir a lei", explica o editor José Ursílio.Nestas
condições, ganha mais visibilidade a atuação de parte do Ministério Público,
chamado a dar parecer em todos os casos.
Peças de alguns representantes do Ministério Público com excessos de ataques,
acusações e até ofensas acompanharam condenação em Marília que acabou derrubada
no tribunal, inclusive com voto favorável da Procuradoria de Justiça. Como pode
dentro do Ministério Público a avaliação ser tão diferente?
"Não foi apenas um parecer contrário aqui e um favorável em São Paulo. O que
houve foi uma apanhado de ataques irados, de tom pessoal, de ofensa em Marília
para absolvição plena em São Paulo. Foi 3 a zero em São Paulo com parecer
favorável da Procuradoria", avalia o editor José Ursílio.
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