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Postado em 07/07/2016 às 17:38

Pesquisa do IBGE aponta queda de 9,8% na produção industrial deste ano

Dados do Instituto apontam a continuidade no recuo da produção industrial brasileira; analista econômica acredita em retomada somente a partir de 2017

Categoria: Economia

MARCELO MORIYAMA

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (7) os dados da Pesquisa Indústria Mensal (Produção Física Regional), indicando que a retração acumulada de 9,8% na média nacional da produção industrial brasileira, nos primeiros cinco meses do ano (janeiro-maio), reflete as quedas em 12 dos 15 locais pesquisados, frente a igual período do ano anterior.

Três deles mostram quedas com intensidade superior à média nacional, tendo à frente o Espírito Santo, cuja retração chegou a significativos 11,8 pontos percentuais acima da média nacional; seguido do Amazonas (-18,8%); e de Pernambuco (-18,7%). A queda registrada no estado de São Paulo foi a mesma da média nacional: 9,8%.

Também fecharam com resultados negativos no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, embora com retrações abaixo da média nacional, o Rio de Janeiro (-9,5%), Minas Gerais (-9,4%), Paraná (-8,9%), Goiás (-8,1%), Santa Catarina (-7,3%), Rio Grande do Sul (-6,2%), Ceará (-5,8%) e região Nordeste (-3,2%).

Segundo o IBGE, o menor dinamismo foi influenciado por fatores relacionados à diminuição na fabricação de bens de capital (em especial aqueles voltados para equipamentos de transportes: caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões e veículos para transporte de mercadorias); bens intermediários (autopeças, produtos de minerais não-metálicos, produtos têxteis, produtos siderúrgicos, produtos de metal, petroquímicos básicos, resinas termoplásticas e defensivos agrícolas); bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos da “linha branca” e da “linha marrom”, motocicletas e móveis); e bens de consumo semi e não-duráveis (calçados, produtos têxteis, vestuário e bebidas).

Pará (9,6%), Mato Grosso (7,4%) e Bahia (1,2%) assinalaram foram os três estados que fecharam com crescimento no resultado acumulado até maio pela indústria do país. Neste caso, impulsionados pelo comportamento positivo vindo de indústrias extrativas (minérios de ferro em bruto), no caso do Pará; de produtos alimentícios (carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas, óleos de soja em bruto e tortas, bagaços, farelos e outros resíduos da extração do óleo de soja), no Mato Grosso; e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel e gasolina automotiva) e metalurgia (barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre), na Bahia.

Segundo análise do economista Antônio Matioli, a economia nacional ainda segue em reflexo à recessão político-econômica do País, que afetou o poder aquisitivo da população, o potencial de consumo, gerando a conseqüente redução na produção para que as empresas consigam se adequar à atual realidade brasileira.

“A economia está em queda, mas já em processo de desaceleração. O caminho à vista é a retomada do crescimento, mas somente após se chegar ao fundo do poço, onde já estamos. Creio que esta desaceleração ocorra até o final desse ano, com a então inversão do mercado e aumento gradativo de produção a partir de 2017.”

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