Colunas

Fernando Calmon
José Ursílio
Rosalina Tanuri

Charge

12/03/2010 08:00:02

Tudo uma coisa só?

Começa a emergir do marasmo a estratégia de campanha de José Serra. Não desejando e nem podendo contrapor-se às realizações do governo Lula no plano social, o candidato procura reunir num só conjunto as conquistas de todos os governos da Nova República, desde as promessas de Tancredo Neves até as realizações de José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e Luiz Inácio da Silva. Para muita gente, trata-se de colocar no mesmo saco gatos, carangueijos, tartarugas e bichos-preguiça. Sem esquecer que antes da Nova República o Brasil já existia, com sucessos e fracassos.

Apesar das ponderações, parece a única saída para o governador paulista tentar neutralizar a ascensão da adversária e de seu patrono. Juntar todos os governos desde 1985 obrigaria o Lula a reconhecer que não criou nada, mas, apenas, continuou a obra dos antecessores. Sabe-se não ter sido bem assim, porque Itamar Franco, por exemplo, contrariou a maior parte dos objetivos de Fernando Collor, que por sua vez havia atropelado José Sarney. E Fernando Henrique, que optou por caminhos opostos aos de Itamar Franco? O Lula, de seu turno, botou o pé no freio das promessas que o elegeram, conservando boa parte do catecismo de dependência rezado pelo sociólogo.

Seria preciso que José Serra encomendasse uma pesquisa a respeito do sentimento popular diante de cada um dos presidentes da Nova República. Ficaria surpreso ao verificar que no fundo de tudo existem duas vertentes, jamais um único caudal: os progressistas e os conservadores. O diabo será classificar o atual governo, Nirvana dos banqueiros e paraíso dos pobres, mágica espetacular incapaz de durar muito...

CHOVENDO NA HORTA DE CIRO - A quem beneficiará a queda de José Serra e a ascensão de Dilma Rousseff? Por mais que as pesquisas não tenham revelado, logo poderá ser a Ciro Gomes. Talvez surja aí a chance que ele esperava. Porque as preferências que antes faltavam à ministra, e hoje começam a faltar ao governador, ironicamente fluirão para uma terceira opção. Basta que o ex-ministro e ex-governador do Ceará fique firme. Porque os setores capazes de desistir de votar em Serra não votarão em Dilma. E se os números virarem, será vice-versa. Dilmistas não se transformarão em serristas.

Abre-se outra via, no mínimo em condições de chegar ao segundo turno. Hipótese que se encarregará de afastar o caráter plebiscitário da eleição, entre o governo Lula e o governo Fernando Henrique. O eleitorado pode muito bem fixar-se no futuro.

Carlos Chagas

carloschagas37@uol.com.br

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