Em pouco mais de quatro horas a Campanha Ficha Limpa, que pretende apoio para projeto de lei impedindo que políticos condenados criminalmente ou por corrupção como improbidade administrativa sejam candidatos, conseguiu mais de 6.000 assinaturas.
A coleta reuniu entidades de bairro, sindicatos, a ong Matra e veículos de comunicação como as rádios Diário FM e Dirceu AM, além do Jornal Diário, ontem no terminal urbano. E atraiu políticos que apoiam o projeto como o vereador e presidente da Câmara de Marília, Eduardo Nascimento (PDT), e o deputado federal Sérgio Nechar (PP).
O objetivo do grupo é alcançar 30 mil assinaturas, segundo o presidente da torcida organizada Guerreiros do Tigrão, Washington Neto.
“Queremos dar peso ao projeto de lei e ao mesmo tempo conscientizar a população sobre a importância de se conhecer os antecedentes do candidato que vai votar”, disse.
A coleta continua esta semana no centro e nos bairros e ganhou apoio da população nas ruas.
“Político tem que ser correto e a população tem que fazer sua parte”, diz o vigilante Luiz Carlos Santos, que assinou o manifesto.
Segundo o jornalista José Ursílio, a campanha deve separar o joio do trigo e serve de alerta aos políticos corruptos.
O conselheiro da Matra e promotor aposentado, Luiz Orlando, disse que a campanha ajuda a mostrar a “verdadeira face” dos candidatos a cargo eletivo. “Temos eleições este ano e a população precisa ficar atenta”, disse.
Força Sindical apoia projeto e cobra transparência
Em entrevista ao vivo a rádio Dirceu AM e Diário FM, o coordenador regional da Força Sindical de Marília, o sindicalista Irton Siqueira Torres disse que a entidade apoia o projeto Ficha Limpa e sempre esteve à frente de manifestações por mais transparência na política.
Segundo ele, já passou da hora de o país e a Justiça punirem com mais rigor atos de corrupção envolvendo políticos com mandato. “É preciso moralizar e acho que a população, o eleitor estão percebendo isso. A sociedade está ficando mais consciente”, falou.
Em Marília projeto tem apoio de série de associações de bairro, como o Comsul. Segundo um dos representantes, Igor Monteiro, todas as assinaturas coletadas serão enviada a Brasília.
Monteiro disse ainda que o objetivo é mostrar à população quem são os candidatos fichas sujas do estado que estarão concorrendo nas próximas eleições de outubro.
Candidatos condenados em 2ª instância barrados
O relator do grupo de trabalho que analisa o projeto Ficha Limpa (PLP 518/09), deputado Indio da Costa (DEM-RJ), disse que pretende incluir em seu parecer preliminar sugestão de que o candidato só seja considerado inelegível se condenado em órgão colegiado (tribunais de segunda instância) ou por decisão de juiz singular transitada em julgado.
A sugestão foi apresentada esta semana ao grupo de trabalho pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). O texto atual prevê a inelegibilidade após decisão em primeira instância, ponto considerado polêmico pelos parlamentares.
Para entidades que organizam o manifesto em Marília, como a Associação de Moradores Nova Marília, quanto mais mudanças na proposta original mais distante o projeto fica do seu objetivo, argumenta o presidente Amauri Gonzaga.
Os deputados continuam divididos em relação, inclusive, à constitucionalidade da proposta. Para Regis de Oliveira (PSC-SP), tornar alguém inelegível antes da condenação ser transitada em julgado vai contra o princípio da presunção de inocência.
Escute abaixo:
Nenhum Comentário