Colunas

Fernando Calmon
José Ursílio
Rosalina Tanuri

Charge

06/03/2010 08:00:02

Um certo cheiro de farsa

Com todo o respeito, mas trás um cheiro de farsa o projeto tucano de autoria do senador Tasso Jereissatti, aumentando o bolsa-família dos pais de alunos de 6 a 17 anos que tirarem boas notas. Primeiro porque ficará difícil estabelecer critérios em regiões diferenciadas, onde surgem escolas péssimas, escolas sofríveis e escolas regulares. Depois, porque numa família onde o pai está desempregado ficará mais difícil a um menino subalimentado concorrer com outro que faz três ou quatro refeições por dia.

Acresce ser a proposta elitista, servindo para aumentar o desnível de renda familiar em função de dotes concedidos diferencialmente à juventude, pela natureza. Trata-se da filosofia conservadora e reacionária do neoliberalismo, que prega a livre competição entre quantidades desiguais como valor acima do direito de todos de receber do poder público o necessário para sobreviver. É assim que as elites agem lá em cima, estimulando em seus pimpolhos uma falsa concorrência no banquete restrito à sua classe. Levar essa prática às camadas menos favorecidas parece maldade mas é pior: significa uma nova forma de dividir os pobres, jogando-os uns contra os outros e evitando uma inexorável união futura.

O pior na história é que o projeto Jereissatti surge na hora em que a candidatura Dilma Rousseff cresce e ameaça o favoritismo de José Serra. Estivesse o governador de São Paulo nos anteriores patamares e o Alto-Tucanato nem pensaria nessa demagógica ampliação do bolsa-família. Permaneceria, caso não se insurgisse, com o raciocínio de Serra a respeito da manutenção das conquistas sociais estabelecidas pelo governo Lula. Antes mesmo do que se esperava, caem as primeiras máscaras do andar de cima.

ELES PODEM, NÓS NÃO - A Secretária de Estado, Hillary Clinton, deixou o Brasil como chegou: sem convencer o presidente Lula de que precisamos formar na primeira linha do ataque contra o Irã, defendendo sanções econômicas para impedir aquele país de continuar suas pesquisas nucleares. Melhor assim, o alinhamento automático de nosso país com os Estados Unidos é coisa do passado. E nem, no reverso da medalha, apoiaremos a difusão da bomba atômica pelo planeta, capaz de um dia desses extinguir a Humanidade.

O problema, porém, é que os Estados Unidos e muitas outras nações tem seus arsenais carregados de artefatos nucleares. Até mesmo no Oriente Médio. Importam menos os argumentos de que procuram defender-se de agressões de adversários, porque a discussão sobre quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha, levou Constantinopla a cair na mão dos turcos.

Se é para evitar a catástrofe final, melhor que os países ditos nucleares destruíssem todas as suas bombas atômicas. Como parece mais fácil os elefantes voarem, melhor que dona Hillary tenha saído frustrada.

Carlos Chagas

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