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07/02/2010 07:00:20

Das boates para o alto escalão da TV

Dicésar é a mais recente "atração" nos programas de TV

Montadas em figurinos extravagantes e erguidas em plataformas coloridas, as drag queens levaram a purpurina das boates para o alto escalão da TV. A convite de diretores e novelistas, hoje despontam ao lado de figurões como Silvio Santos. J.B de Oliveira, o diretor Boninho, assistiu ao desfile de fantasias na mídia e colocou no reality “Big Brother Brasil” uma drag queen.

Dicesar Ferreira, 44, que há 20 anos vive como a ruiva Dimmy Kieer, foi o escolhido para concorrer ao polpudo prêmio de R$ 1,5 milhão. Ele chegou a ser seminarista em Londrina (PR) mas, aos 19 anos, largou a batina. Veio para São Paulo e, aos 24, virou Dimmy. Gravou dois discos e emplacou o hit “Dimmy Kieer - Bixa Linda, Mona Luxo”.

A torcida para Dicesar erguer a bandeira trans na casa é grande. “Mas ele precisa de cuidado. O travesti nasce com alma feminina sem precisar de peito, mas é alvo de crítica”, diz a amiga drag Salete Campari. A intérprete de Marilyn Monroe, que fez o longa “Carandiru” (2002) e a minissérie “Som & Fúria” (Globo), acredita que a exposição de Dimmy no “BBB” pode contribuir para fazer vigorar o Projeto de Lei 122/06, que torna a homofobia crime no País.

De autoria da deputada federal Iara Bernardi (PT), o projeto foi engavetado por um grupo de religiosos liderado pelo senador Marcelo Crivella (PRB - RJ), sobrinho do bispo Edir Macedo. Crivela, em férias, não respondeu à reportagem. Para ele, a proposta, que prevê cinco anos de detenção ao infrator, prejudicaria a pregação religiosa. Agora, o projeto será rediscutido.

A trans Nany People estudou teatro e hoje é repórter especial de Hebe Camargo e free lancer no “Programa Silvio Santos”. “Se continuasse no mundo GLS estaria na lama. Para brilhar é preciso estudo.”

Astolfo Pinto foi o primeiro transformista no Brasil

Aos 66 anos, Rogéria se orgulha de ser o primeiro transexual pop no país. Há 45 anos, enquanto trabalhava como maquiador de Fernanda Montenegro, decidiu que não se chamaria mais Astolfo.

No currículo, ostenta novelas como “Tieta” (1989), “Paraíso Tropical” (2007) e “Duas Caras” (2008), todas na Globo. Hoje, divide o banco do humorístico “A Praça é Nossa” com a trans Nany People e o apresentador Carlos Alberto.

• O trans hoje tem espaço na TV?

Rogéria - Sim. Se uma emissora pequena quer ganhar audiência, basta colocar um monte de bibas.

• Por anos existiu uma resistência.

R. - Não sofri isso, mas existe muita bicha burra e o povo odeia. Preciso abrir uma academia para ensiná-las.

• Os diretores das atrações dizem como devem se comportar?

R. - Algumas (trans) se descontrolam.

• Tem canal que censura trans?

R. - Mais ou menos. Eu circulo por todos porque deixo claro que sou Astolfo Pinto, e com ele.

• Qual é hoje a maior barreira do transformista na TV?

R. - Os evangélicos, para eles é como se a gente fosse o capeta.

• O trans tem inveja da mulher?

R. - O gay nunca pode esquecer que saiu de dentro de uma mulher.

Gilberto Braga fala em alegria das personagens

A postura das trans-atrizes interessa aos novelistas. “Elas passam alegria. A Globo aceita”, garante Gilberto Braga, autor da personagem de Rogéria em “Paraíso Tropical” (2007). Segundo o Ministério da Justiça, a única censura a personagens da TV, gays ou não, é o vocabulário agressivo e cenas eróticas. Atenta à lei, Íris Abravanel levou para “Vende-se um Véu de Noiva” (SBT) a trans Fabianna Brazil. A participação elevou o Ibope em dois pontos.

A internet também já ‘exporta’suas celebridades trans para a TV. Katylene, personagem drag que lançou o blog http://katylene.com.br. vai ganhar um programa no Multishow neste ano.


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