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05/02/2010 15:30:59

Deputado aliado confirma que bilhete entregue por testemunha à PF é de Arruda

O deputado é presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, primeira instância a analisar os pedidos de impeachment do governador

da Folha Online, em Brasília

O deputado distrital Geraldo Naves (DEM) afirmou nesta sexta-feira à Folha Online que o bilhete entregue pelo jornalista Edson dos Santos, o Sombra, à Policia Federal realmente foi escrito pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido). O bilhete seria, segundo Sombra, uma das provas da tentativa de suborno.

Amigo de Arruda, Naves disse que o "recado" do governador foi escrito no início de dezembro de 2009 e seria uma sinalização de que "não estaria chateado" com o jornalista, apesar da proximidade dele com o Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção.

Arruda teria feito o bilhete depois de o deputado ter dito que Sombra estava preocupado com um possível corte na verba publicitária de seu jornal. Segundo Naves, Arruda escreveu o bilhete para dizer que a relação dos dois não estava abalada por causa das denúncias e que não haveria corte de publicidade.

"O bilhete é verdadeiro, mas a historia não é essa. Não há nem nunca houve suborno. Ele [Sombra] estava preocupado com a verba de publicidade. Conversei com o governador e ele me disse que não tinha nada contra o Edson [Sombra] e pegou uma caneta e escreveu. Eu levei e mostrei o bilhete para o Edson e ele me pediu para ficar com o papel. Disse que era para quando fosse conversar com o governador mostrar que recebeu", afirmou.

O deputado é presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, primeira instância a analisar os pedidos de impeachment do governador, e integrante da CPI da Corrupção, criada para investigar o esquema.

Naves disse que o bilhete não era formado por frases soltas, mas tópicos. "Ele não ia escrever uma carta. Eram dizeres, tópicos que eu dissertei para ele. Olha, esse bilhete é a prova de que não teve maldade. Se tivesse maldade, isso ficaria nas mãos dele? O governador mandaria o bilhete? Ele quer emergir nesse processo que está longo por ai. Se fosse suborno, eu não me envolveria em um negócio tão baixo desse", disse.

O bilhete é formado por seis frases: "gosto dele", "sei que tentou evitar", "quero ajuda", "sou grato", "GDF ok" e "Geraldo está valendo".

Segundo o deputado, "gosto dele" é carinho de Arruda. "Sei que tentou evitar" seria o reconhecimento de Arruda de que Sombra tentou fazer com que Durval não fizesse a denúncia. O "quero ajuda" e "sou grato" seria para que conversasse com amigos para dizer que não fosse cobrado pelas denúncias, enquanto o "GDF ok" dizia respeito à liberação de patrocínio.

Sombra afirmou ontem à Folha Online que recebeu o bilhete entre os dias 8 e 9 de janeiro das mãos Naves. Segundo o jornalista, o recado de Arruda teria sido utilizado durante a negociação do suborno.

"Eu deixei o bilhete com a Polícia Federal. Recebi entre os dia 8 e 9 janeiro, do deputado Geraldo Naves, presidente da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça]", disse.

De acordo com o jornalista, o suborno poderia chegar a R$ 3 milhões e seriam pagos em parcelas.

Sombra é a principal testemunha de Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção que envolve o governador. Ele prestou depoimento ontem à Polícia Federal depois que os policiais prenderam, em flagrante, o conselheiro do Metrô do Distrito Federal Antônio Bento da Silva.

Sombra afirma que Silva o teria procurado para que trocasse seu depoimento na Polícia por dinheiro.

Em imagens gravadas pela Polícia Federal momentos antes da prisão, Sombra assina papéis e repassa para Silva. Após a assinatura de documentos, Silva entrega uma sacola para o jornalista.

Segundo a PF, a sacola tinha R$ 200 mil, que seria a primeira parcela do suborno. Os papéis seriam uma declaração do jornalista afirmando que os vídeos feitos por Durval e que fazem parte do inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre o esquema de pagamento de propina teriam sido manipulados.

As gravações do delator mostram Arruda, o vice-governador Paulo Octávio (DEM), secretários, assessores e deputados distritais recebendo suposta propina.

Armação

Em nota, o GDF (Governo do Distrito Federal) afirma que foi uma "armação de Durval Barbosa" a tentativa de suborno de Silva ao jornalista.

"Fica evidenciada mais uma tentativa de armação do grupo de Durval Barbosa para comprometer o GDF e turvar as investigações. O GDF repudia as insinuações divulgadas e nega qualquer envolvimento com este lamentável episódio", disse.

Segundo o documento, Silva tentava intermediar encontros de Sombra, principal testemunha de Durval, com Arruda. A nota afirma que Silva tentava negociar patrocínio do GDF para o jornal da mulher de Sombra. Segundo o governo, os pedidos de publicidade foram todos negados.

"O sr. Antônio Bento trabalha para o jornalista Edson Sombra no jornal 'O Distrital', de propriedade deste, onde ocupa o cargo de diretor comercial. Nos últimos 15 dias o sr. Antônio Bento procurou insistentemente o GDF, primeiro com o pedido de um encontro entre o jornalista Edson Sombra e o governador Arruda; e, a seguir, com pedido de patrocínio para o referido jornal. Todos os pedidos foram negados


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