O vereador Eduardo Nascimento, dono de terceiro mandato e que potencializou e cacifou atuação de influência na ruptura com vícios e mazelas do espectro abelardiano desde o ano passado, pode definitivamente estabelecer blindagem em defesa do patrimônio do Daem.
Crédito a quem é merecedor. O presidente da Câmara está empenhado em evitar desgastes e deveria ser mais ouvido pelo prefeito Mário Bulgareli.
Outro destaque foi para o vereador Sidney Gobetti de Souza que embora líder nomeado pelo prefeito não abre mão da ideologia e postura pública de defensor da coletividade e desde o primeiro instante se postou contra privatização, concessão ou venda de qualquer parte do Daem.
Méritos finais para Júnior da Farmácia e Wilson Damasceno. Posturas firmes, sem vacilo, meias palavras ou esperando propostas nada recomendáveis.
O que pode acontecer agora?
Eduardo Nascimento conversar com o prefeito e explicar que o governo precisa de alternativas para concluir as obras de afastamento e tratamento de esgoto que já consumiram mais de R$ 33 milhões e que nos próximos três anos essa é uma questão de honra e obrigação.
O prefeito não precisa ganhar ou perder mais que já perdeu e deve retirar o projeto de lei que mudaria a lei orgânica e possibilitaria a privatização de parte e ou todo patrimônio do Daem.
Parêntese: não é o patrimônio de prédios, adutoras, bombas, caminhões, o mais valioso bem seja de milhões ou meio bilhão, mas o que é recurso natural, a água, dádiva de Deus e que é do cidadão e da natureza que deve ser tratada com mais eficiência e preservação.
Mário Bulgareli perdeu o rumo e a liderança do governo e da base política e administrativa.
Está isolado, num governo sem transparência e tocado sem eixo. Perde apoios e afasta até aliados e correligionários que ora fingem, ora se decepcionam com desencontros.
O espectro abelardiano vibra, torce contra, faz de tudo para tirar proveito e já prepara as garras para as eleições de 2010.
Bulgareli nem pode reclamar, afinal não conseguiu capitalizar a reeleição, inexiste grupo e nova prova é o fiasco nas articulações.
O prefeito não tem mais o que perder?
O prefeito não é mais candidato e pode ficar isolado?
Bulgareli está isolado porque não lidera e não cativa nem os correligionários e aliados para governar?
Bulgareli quer aproveitar o segundo mandato para fazer negócios?
Enfim, o que está acontecendo?
A realidade é que o poder pode ter deslumbrado e não passou o efeito da reeleição no ano passado.
Logo, quem está isolado não vê nada a sua volta, exceto bajuladores que nada apresentam de real e só ficam à espreita das vantagens.
Nesse cenário prosperam os lobistas ligados a empreiteiros descompromissados com a coletividade e ávidos para tudo que possa ser vantajoso.
Nesse quadro prolifera a falta de transparência, o que é suspeição vira indícios de mazelas e desvios e o que poderia ser governo de transição e mudança de prática vai se perfilando como desastre.
O episódio da tentativa de privatizar primeiro as obras de esgoto e na esteira em sequência a água, é apenas um dos episódios de desastre político e administrativo de Mário Bulgareli.
O ano de 2009 deveria ser de desenvolvimento, coalizão, fortalecimento dos aliados e agregar novos valores para garantir o enterro definitivo de Abelardo Camarinha e seu espectro de mazelas e vergonha.
Isso não ocorreu e Bulgareli é o único culpado.
Resta agora saber:
1 - o prefeito quer e está preparado para reformular posturas políticas e administrativas individuais?
2 - o prefeito vai constituir um grupo de influência coerente, descentralizar decisões e governar com aliados?
3 - Bulgareli vai definir um plano de governo ou pretende ficar adotando posturas e projetos ao sabor de vontades pessoais e influências individualistas?
4 - o prefeito tem grupo que o respeita ou em 2010 ficará caracterizado o Frankenstein agindo tresloucadamente?
O que mais incomoda quem viveu e conhece a história política de Marília nos últimos 25 anos e viu ascensão e queda de Abelardo Camarinha é o fato de Mário Bulgareli ter desperdiçado em 2009 o melhor ano de sua vida política e administrativa.
Para piorar em 2010 tem eleição e o quadro tende a piorar muito em disputas, o que provoca e prejudica o ritmo da administração de qualquer forma.
Então, Marília fica prejudicada ainda mais quando falta liderança do prefeito ou ele está perdido como agora, não se sabe bem por qual causa e onde ele quer chegar.
O episódio da tentativa de vender o Daem ou parte dele deve representar momento de reflexão para Bulgareli.
Enquanto isso, quem tem expectativas e percepção que é preciso mudar as pedras nesse jogo de xadrez, deve assumir jogadas mais afinadas à opinião pública.
Nesse quesito, o lance da vez novamente pode dar mais espaço para Eduardo Nascimento que vem de alguma forma antenado na necessidade de práticas e relações éticas e de parcerias que frutifiquem.
Eduardo Nascimento não é nenhum neófito em política e sabe construir alternativas e foi ele quem orquestrou boa parte do espectro que reelegeu Bulgareli
Se Bulgareli está tão desorientado, deveria ouvir mais Eduardo e com seus conselheiros e pessoas de confiança construir um eixo de poder pluralista e cujos limites das decisões hierarquicamente sejam: interesses coletivos, objetivos administrativos e necessidades político-partidárias.
Ou será que está todo mundo errado inclusive este jornalista e Bulgareli pode continuar fazendo o que está e não existe nenhum desastre político e administrativo?
A decisão é de Bulgareli. Aqui fico com a primeira avaliação, se é que o prefeito vai conseguir fazer a opção pela coerência, responsabilidade e transparência.
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