O radialista Franz Netto, 70, morreu na tarde de ontem vítima de uma parada cardiorrespiratória. Apresentador do Jornal da Cidade, na rádio Dirceu AM, sofria de hipertensão e depois de passar mal pela manhã, pediu que esposa fosse até unidade de saúde em frente à casa do casal em Lácio, para pedir ajuda.
Ao retornar, por volta das 13h, Marineusa Rocha, com quem Franz morava há 14 anos, o encontrou caído no corredor. Equipe de resgate foi acionada e levou radialista até o Hospital das Clínicas, onde deu entrada às 13h41 já sem vida.
Ícone do rádio em Marília e do jornalismo nacional, Franz Netto foi o primeiro repórter aéreo de rádio e televisão do Brasil.
Nascido em Marília, no dia 12 de abril de 1939, foi na capital que descobriu a paixão pelo rádio. Em São Paulo também fez grandes amigos, como Milton Neves, apresentador do Terceiro Tempo da Band; José Paulo de Andrade, que comanda programa O Pulo do Gato na rádio Bandeirantes; jornalista José Buzelli Filho e o rei Roberto Carlos, de quem era amigo íntimo.
Franz Netto se mudou para São Paulo no início da década de 70, onde trabalhou na rádio Bandeirantes, rádio Capital e em assessoria no Palácio dos Bandeirantes.
No início dos anos 90, retornou a Marília a fim de abrir negócio próprio. Na companhia dos filhos fundou bar “Balcão”, onde atualmente funciona a Wiskeria Berlim.
A paixão pelo rádio falou mais alto e em 1992 Franz retornava aos estúdios, desta vez pela rádio Clube AM de Marília. Em 99 passou a fazer parte da equipe Dirceu AM, onde trabalhou até seu penúltimo dia de vida.
Radialista deixa filhos e Marineuza, sua terceira esposa. Corpo é velado na sala 2 do velório municipal e será enterrado hoje no Cemitério Parque das Orquídeas em horário ainda não definido.
“Abelhudo Cofap” cobriu casos históricos
Primeiro repórter aéreo de rádio e televisão do Brasil, Franz Netto foi apelidado pelo idealizador da modalidade, então diretor da rádio Bandeirantes, Hélio Ribeiro, como “Abelhudo Cofap”. O transporte que utilizava para ir até o Detran, de onde transmitia ao vivo informações sobre o trânsito, e ainda a empresa patrocinadora do horário motivaram o codinome.
Franz Netto cobriu pela rádio Bandeirantes o incêndio do edifício Joelma, em fevereiro de 74, tragédia que deixou 179 mortos e 300 feridos. Inspiração de vários outros repórteres e radialistas, ele possui até mesmo comunidade em site de relacionamentos na internet e está em lista que revela por onde andam personalidades brasileiras. “Que Fim Levou?” pode ser acessado pelo site do programa Terceiro Tempo, de Milton Neves.
Amigos ilustres relatam convivência com radialista
No período em que trabalhou na capital, Franz Netto cultivou uma legião de amigos, muitos ainda atuantes na mídia nacional, com os quais Diário conversou na tarde de ontem.
“Franz era um ídolo, não imaginava sequer conhecê-lo, muito menos trabalhar ao seu lado”, definiu Milton Neves.
Apresentador que deu notícia da morte ao vivo na rádio Bandeirantes minutos após conversar com a reportagem, confessa que Franz foi um dos responsáveis por seu crescimento profissional.
“Ficava vendo como ele trabalhava, entrava ao vivo, sem medo. O admirava desde a época que ainda morava em Minas. Ele me ajudou muito”, diz.
Foi neste período também que José Paulo de Andrade, apresentador do programa matutino da rádio Bandeirantes “O Pulo do Gato”, tornou-se amigo do radialista mariliense.
“Assumi a chefia do departamento de jornalismo da rádio Bandeirantes em 77, quando me aproximei ainda mais do Franz. Guardo dele as melhores recordações, o profissional “pau para toda obra”, nunca rejeitava uma missão e jamais demonstrava mau humor”, recorda-se Andrade.
As visitas anuais à Marília tornaram-se rotina para o assessor de imprensa da Apeoesp José Buzelli Filho após conhecer Franz Netto. Ambos trabalharam na assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes.
“Estou chocado com a notícia, iria para Marília, cidade que o Franz amava, em dezembro, e levaria para ele uma fotografia que tiramos no estúdio da Dirceu AM no ano passado, quando visitei meu amigo pela última vez”, disse.
Manoel Alves Santana, o repórter Andorinha da imprensa mariliense definiu radialista com a palavra simplicidade.
“Depois de trabalhar na imprensa nacional, Franz voltou para Marília e mesmo assim manteve a simplicidade, tratando com igualdade todos os profissionais da imprensa local”, salientou.