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Fernando Calmon
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02/07/2009 08:00:00

Saúde não abrirá novos postos para atender demanda do HC

Medida tomada será apenas a contratação de mais médicos

Fechamento do pronto atendimento do HC que, em dois meses passará a atender apenas casos de urgência e emergência, coloca sob responsabilidade do município cerca de 14 mil pacientes a mais por mês. Apesar da demanda, secretaria da Saúde diz que não será necessário abrir novos postos de saúde.

Segundo o secretário municipal da Saúde, Júlio Zorzetto, as 41 unidades da rede básica e os dois pronto-atendimentos da cidade são suficientes para atender as pessoas que deixarão de ser assistidas pelo HC, e que vão se juntar aos cerca de 20 mil pacientes atendidos mensalmente na rede básica.

Secretário, entretanto, reconhece, sem precisar a quantidade, que serão necessários mais médicos na rede básica. Falta que, segundo ele, deve ser suprida também com concurso público a ser realizado no segundo semestre.

“Não adianta abrir mais um PA, isso não é a solução. Precisamos de mais médicos que queiram atuar na emergência e temos encontrado dificuldade para isso”, fala.

Cálculos da Saúde dão conta de que serão necessários, ao menos, mais dois clínicos gerais e mais dois pediatras atuando diariamente nos dois PAs. Hoje, são dois clínicos e um pediatra atendendo na unidade de pronto-atendimento do Santa Antonieta, na zona norte, e um clínico e um pediatra na unidade do São Francisco, na zona sul.

PA da zona sul pode ter horário estendido

Pronto-Atendimento da zona sul – que hoje funciona no prédio do antigo Hospital São Francisco – pode se tornar uma unidade de socorro 24h. Possibilidade é estudada pela Secretaria da Saúde, mas ainda depende de definição da negociação do prédio – que não tem data certa para ser concluída.
“Nunca tivemos um PA 24h na zona sul porque não era de interesse do Hospital São Francisco. Quando a nova equipe assumir, entraremos em contato a fim de manter a unidade 24h”, comenta Zorzetto.

Posto fecha de madrugada, contam moradores

Moradores de bairros mais afastados da zona sul reclamam falta de atendimento básico no PA em horários noturnos – o que os fazem recorrer diversas vezes ao Hospital das Clínicas.
É o que conta o motorista Oswaldino de Souza, 46. Com dor de ouvido durante a madrugada, ele teve de procurar atendimento no HC. “No bairro, ou mesmo no São Francisco, não há atendimento noturno e a gente tem que sair daqui. Se o HC não atender e não tiver um PA 24h por aqui, como vamos fazer? Esperar o outro dia? Está cada vez mais complicado”.
Situação também preocupa a doméstica Maria de Fátima de Oliveira, 41. “É difícil para nós todos da zona sul. HC não é alternativa, é única opção que a gente tem durante a noite”.

MP já acionou Justiça sobre sobrecarga do HC

Situação de sobrecarga no pronto-atendimento do Hospital das Clínicas já está na Justiça. Uma representação ao Ministério Público feita pela Fumes (Fundação Municipal de Ensino Superior – ligada ao HC) em abril de 2007 denunciou condições do serviço.
Entre outros, representação alegava que, ao absorver a demanda, o objetivo do hospital de prestar atendimentos mais complexos aos pacientes acaba prejudicado. O MP instaurou inquérito e, desde então, apura a transferência de serviços prestados pelos pronto-atendimentos da rede municipal para o pronto socorro do HC – o que chegou a acarretar liminar determinando a abertura de mais leitos aos pacientes.
De acordo com o promotor responsável pelo caso, Isauro Pigozzi Filho, caso pode implicar em mudanças na gestão dos repasses do SUS ao município.


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