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28/06/2009 07:00:14

Arte milenar, o circo trabalha com todas as linguagens

Circo Escola e Cia Lona e Arte funcionam no “Barracão”

“Hoje tem marmelada? Tem sim senhor!”, e tem escola de circo em Marília. Funciona junto à Ong Cáritas Marianistas - Projeto Barracão, desde o ano passado. O Circo Escola Anima surgiu do interesse de alunos das oficinas ministradas por Deise Nuevo, na Oficina Regional “Tarsila do Amaral”.

Deise Nuevo, arte educadora e coordenadora cultural e artística do Projeto Barracão, começou todo trabalho há seis anos com aulas de música, teatro e literatura. O circo foi sendo introduzido e rendeu importantes resultados no desenvolvimento dos menores. A Cia. Circo Lona e Arte surgiu dentro do Projeto há quatro anos.

O Circo Escola Anima é outra parceria da arte educadora. Atua com 10 a 12 alunos, com apoio do monitor Marcelo Nunes, há 10 anos no Barracão. Deise Nuevo explica que não existe escola de circo na região e este era um sonho que começa a se efetivar. O ideal seria a lona, mas demanda outros cuidados e investimentos.

No Circo Escola as atividades são desenvolvidas em três módulos. No primeiro: iniciação (acrobacia, força e resistência); no segundo: definição (graus de dificuldade, salto mortal, coordenação motora, equilíbrio, malabares, swing, arame fixo); e, no terceiro módulo: aéreo – aparelhos (trapézio, corda indiana/balé aéreo e tecido).

Mas, e o palhaço? Aí entra um treinamento mais específico e a aptidão e identificação do aluno com as técnicas e o fazer rir.

A professora e artista lembra que para o circo não tem idade, mas os malabares são para os mais velhos e, a acrobacia de solo é a base do circo. O tempo depende do desenvolvimento de cada um.

“Tudo é fruto de trabalho da Ong - a maioria já não é mais da Ong - abrimos espaço para outros”, afirma. O importante nesta história é o espaço cênico que a cidade ganha. Com o circo, valoriza e contribui com a cultura e novas linguagens artísticas.

De educando a monitor, com pé na Escola Nacional de Circo

Marcelo Nunes, 19, está há 10 anos no Barracão. Já fez teatro, dança, pintura, desenho e artesanato. Foi educando do Projeto e hoje é monitor do Circo Escola e se prepara para o início das aulas na ENC (Escola Nacional de Circo) do Rio de Janeiro, única federal e primeira da América Latina. Está entre os 30 selecionados para o curso de 4,5 anos de formação.

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O jovem começou a fazer circo em 2003 - palhaço e perna de pau, passou para acrobacia, swing, pirofagia. Estreou na acrobacia e hoje é considerado “coringa”, por Deise Nuevo. Com ela também faz o número de palhaços, ele, o Biribinha e ela, a Palhaça Berinjela.

Começou a treinar tecido e montou número aéreo. O público pode conferir na última edição da Virada Cultural Paulista, no mês de maio.

Para Marcelo, o número mais difícil do circo é o palhaço. Tem a comunicação direta com platéia, é ele quem traz alegria. A professora e parceira de “palhaçadas”, complementa: o palhaço 50% é platéia e 50% técnica.

Entre todos os números circenses eles concordam: “O grande barato é o palhaço e o trapézio voador.”

Atividades possibilitam benefício físico e mental

Outro aluno e adepto do Circo Anima é Fabiano Oliveira Souza, formado em Jornalismo e Direito. Ele também se apresentou na Virada Cultural Paulista, com o parceiro Danilo César Farias, com quem faz aula de tecido, no Studio Art Dança.

Fabiano diz que o tecido é pouco divulgado e não oferece perigo. É um dos números que refletem agilidade e criatividade física. A prática favorece o desenvolvimento físico e mental. “Existem lutas mais perigosas que fazer acrobacia nos tecidos.”

Danilo Farias, 27, é universitário e professor - também deu aula para Marcelo Nunes. Tem um trabalho mais voltado para a dança, mas envolve nela a acrobacia, o que chama de “contemporâneo acrobático aéreo”.

Com postura e equilíbrio faz tecido há 5 anos. Já promovia festas e eventos com estes números de acrobacia no tecido, em dupla ou pulsado. Nos treinos com Fabiano Souza preparou uma “parada” que incluiu a apresentação da Cia. Circo Lona e Arte, na Virada Cultural Paulista.


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