Acho que ninguém aguenta mais falar de crise mundial! Até escrever essa linha de crise já me encheu! Mas realmente impressiona as últimas notícias relacionadas a desempregos, fechamento de fábricas, empresas buscando alternativas, linhas de créditos cada vez mais difíceis e limitadas. População desesperada, pressiona governos e estes ou agem alheios a realidade esperando as coisas seguirem seu curso natural ou cometem algum tipo de gafe, quando buscam caminhos alternativos para crise ou meios de aliviar o estrago.
Pois um deputado da Califórnia, Tom Ammiano, apresentou um projeto essa semana para legalizar o uso da maconha. Apologia a parte, Ammiano acredita que se ela for devidamente legalizada e comercializada, o estado americano poderá lucrar em impostos como acontece, por exemplo, com o cigarro.
O mais irônico, foi uma notícia que saiu essa semana na Revista Austríaca Profil. Nela foi publicado uma entrevista com Antonio Maria Costa, considerado o inimigo público número um na luta contra as drogas pelas Nações Unidas, onde ele cita que o lucro obtido por gangues e traficantes de drogas, têm contribuído para evitar que alguns bancos entrem em colapso financeiro.
Empréstimos interbancários financiados pelo dinheiro originário do narcotráfico foram responsáveis pelo resgate a alguns bancos que estão sufocados com a crise mundial, e Antonio Maria Costa, diz ter provas desse envolvimento dos bancos e também alguns países, o qual ele se recusou a citar qualquer nome.
Na matéria, ele ainda cita que em muitos casos, o dinheiro da droga, é o único investimento líquido de capital sólido. Se lembrarmos que no segundo semestre de 2008, a liquidez do sistema bancário foi o seu calcanhar de Aquiles, o capital líquido proveniente do narcotráfico foi um verdadeiro alento a muitas instituições financeiras.
O diretor-executivo da Drug War Chronicle, David Borden, vai um pouco mais longe do que Antonio Maria Costa. Ele pergunta o que aconteceria com a economia se por exemplo magicamente a guerra contra as drogas começasse a realmente funcionar com uma certa efetividade, e o seu comércio fosse totalmente aniquilado, ou se por um milagre as pessoas parassem de usar drogas? Não sei o que você pensa que poderia acontecer, mas ele responde com outra pergunta: O que seria de países como Afeganistão, Colômbia, México, onde uma grande parte do dinheiro que se arrecada com o tráfico, sustenta milhões de pessoas dependentes desse lucro? Ou ainda em alguns setores da sociedade americana e América Latina? Pra ele, seria uma verdadeira catástrofe do ponto sócio-econômico.
Recentemente, o ex-presidente brasileiro FHC, agora com um novo apelido: Fernando Hippie Cardoso, defendeu o uso da maconha para uso pessoal. Segundo Fernando, que é formado em sociologia, esse pode ser um caminho para erradicação das drogas.
Pessoalmente acho isso um pouco utópico, o fato de que isso possa funcionar no Brasil, que já tentou outras vezes obter sucesso com programas sociais bem mais simples como a educação no trânsito, difícil ter êxito num assunto mais amplo e complicado.
Na verdade o viciado e/ou usuário no final das contas ainda teria que pagar mais caro pelo seu beck de cada dia. Ou você acha que o Governo não ia querer ganhar pesado em cima de arrecadações de impostos sobre o produto?
Estou cansado de ver propagandas da Petrobras dizendo que somos autossustentáveis na questão de combustível, mas pagamos quase R$ 3 no litro da gasosa, bem mais caro que nossos vizinhos Paraguai e Argentina, imagina quanto sairia unzinho pra “consumo próprio”!!
Vamos mais longe, vamos chutar o pau da barraca: digamos que a maconha seja legalizada, que está tudo liberado, onde entram os grandes produtores de Canabis na história? Será que vão passar a ser meros agricultores, e deixar de andar nos seus carrões?
Há quem diga que já exista estudos de grandes empresas e corporações, já visando um futuro com a maconha brigando com o cigarro e bebidas alcoólicas por uma boa posição em exposição num buteco mais próximo à você. A compra do polígono da maconha e a automação técnica para a produção em larga escala de industrialização seria um primeiro passo.
Enquanto batem a cabeça querendo acabar com o inabalável mundo do tráfico (para cada 10 que morrem, escalam mais uns 30), a forma mais simples e objetiva seria o verdadeiro poder para o povo: Educação!!! Mas pra que educar? Quem é educado questiona, quem questiona não vota, quem não vota comanda, e o Governo nunca vai ser marionete. Legalizar ou não, essa não é a questão!!
Filme da semana: Segurando as Pontas, com James Franco e Seth Rogan
Trilha da semana: The Prodigy - Take me to the Hospital
boa alusão ao grande Zé Ramalho.....sem mais