Na verdade a não-divulgação é meio que proposital por parte da produtora responsável, a Focus Features, que tem a finalidade de que o filme seja visto pelo boca-a-boca, e não uma publicidade em massa até pra não atrair um público indesejado, se é que vocês me entendem. A idéia é não causar um tipo de desconforto ou polêmica gratuita e por se tratar de Van Sant, fica fácil entender o porque. O filme mostra Sean Penn em algumas cenas amorosas, interpretando o líder gay mais famoso do país, e responsável por muitos dos direitos gays de São Francisco e da Califórnia nos anos 70. Ele que na vida real foi assassinado por adversário político em 1978. Depois de ser derrotado na política Dan White, um republicano revoltado e que acabou matando o líder gay o transformou num verdadeiro mártir local e posteriormente do movimento GLBT.
Comparando à Brokeback Mountain pelo que pude ler sobre o assunto, o filme Milk é lançado de uma forma, ou um contexto mais delicado. Mesmo que o com cenas de amor entre dois homens do filme protagonizado por Heath Ledger, no caso de Milk é um filme feito por gays e acomoda a delicada questão dos direitos gays americanos. Mais do que um filme pró direitos gays, o filme vai ser lançado, conforme se pode ver nas matérias e trechos na web, com os sentimentos de esperança e mudança, ironicamente o mote da campanha do recém eleito presidente dos EUA Obama.
Aliás, essa semana, ou melhor, no exato dia da eleição de Barack, uma lei importante para os gays do então estado progressista da Califórnia, baniu através de um Plebiscito a união entre casais gays, aprovada no início do ano pela Suprema Corte do Estado. Engraçado que depois da homologação da lei, quando aprovado no início do ano, mais de 18 mil casais gays oficializaram a união e a conta pra terem ganho o tal plebiscito não era tão difícil assim. Já que a diferença de votos foi coisa de 3%, o erro na verdade foi que pelo que se entende, traduzindo naquela indefectível conta do tal quoeficiente eleitoral, e por se tratar de um plebiscito, apenas as pessoas interessadas nas partes foram às urnas, ou seja, muita gente, no caso os chamados simpatizantes heterosexuais do estado "progressista" não saíram as urnas pra dar uma força, o tal do: quer casar com alguém do mesmo sexo? beleza, mas não vou sair de casa pra votar em algo que não interfere diretamente na minha vida!!!
A campanha do não contra a união gay, contou com personalidades como Steven Spielberg. Uma campanha forte e com muita publicidade contra a tal lei. Bom, por mais que a eleição de Barack Obama represente um passo histórico na diversidade, ele é a favor da união, mas não em nível federal. No entanto ele patrocinou uma campanha para elevar em níveis federais leis que criminalizam a violência contra a orientação sexual. Diz ser a favor da adoção de crianças por casais do mesmo sexo e acredita na revisão da política do Don’t Ask, Don’t Tell, ou seja, não pergunte que eu não conto, acreditando que gays e lésbicas assumidos podem servir o Exército Americano. Obama parece ser uma boa pessoa, mas definitivamente não é o Papai Noel.
Filme da semana: 007 Quantum of Solace, com Daniel Craig, Judi Dench e a deliciosa Olga Kurylenko
Trilha sonora da semana: Thieves like Us - Drugs in My Body (Designer Drugs remix)
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