Mais uma droga

Continuando no assunto das drogas, essa semana vamos falar um pouco sobre uma droga muito polêmica. Tão polêmica que já entrou em discussões no cenário político brasileiro a respeito de sua legalização: a maconha. Vamos falar um pouco sobre legalização, efeitos no corpo e aspectos históricos de seu uso. Como se trata de algo extenso, trataremos do assunto em duas partes, uma falando dos aspectos históricos e legalização e outra falando sobre os efeitos na saúde.

Canabis, popularmente conhecida como maconha, refere-se a um número de drogas psicoativas (com ação no sistema nervoso central) derivadas da planta Cannabis. O principal composto químico psicoativo presente na canabis é o 9 tetrahidrocanabinol (delta-9-tetrahidrocanabinol), comumente conhecido como THC.

O consumo humano da canabis teve início cerca de três mil anos antes de Cristo (ou seja, é uma velha conhecida da humanidade). Era utilizada em algumas cerimônias religiosas, onde era chamada qunubu (que significa “caminho para a produção de fumo”), provável origem da palavra moderna cannabis. Em 2003, uma cesta cheia de couro com folhas e sementes de Cannabis foi encontrada na China. Datava de próximo a uns 2500 a 2800 anos.

Nos tempos modernos, a droga tem sido utilizada para fins recreativos, religiosos, espirituais, ou para efeitos medicinais. A ONU estima que cerca de quatro por cento da população mundial usa maconha pelo menos uma vez ao ano e cerca de 0,6 por cento (22,5 milhões de pessoas!) a consome diariamente. A posse, uso ou venda da maconha se tornou ilegal na maioria dos países do mundo no início do século XX; desde então, alguns países têm intensificado as leis que regulamentam a proibição do produto, enquanto outros reduziram a prioridade na aplicação destas leis.

A maconha se tornou ilegal nos Estados Unidos em 1937 devido a Marihuana Tax Act of 1937. Várias teorias tentam explicar por que é ilegal na maioria das sociedades ocidentais, incluindo as que falam de interesses econômicos, políticos, e do papel e da indústria química.

Um dos motivos que contribuem para a polêmica na legalização da droga são seus usos medicinais. A Cannabis é indicada para tratar e prevenir náuseas e vômitos em pacientes em tratamento para câncer, para tratamento de glaucoma, espasmos, além de ser usado como relaxante muscular e analgésico geral. Extratos de canabis também foram criados e vendidos como medicamentos prescritos nos Estados Unidos, principalmente para o tratamento da dor e náusea. Estudos recentes comprovaram a eficácia do THC contra células cancerígenas e os efeitos benéficos foram relatados em portadores de Mal de Alzheimer. O brasileiro Dartiu Xavier da Silveira, Doutor em Psiquiatria e Psicologia Médica, foi responsável por um estudo com dependentes de crack no qual estes se dispuseram a tratar sua dependência com maconha. Ao final do tratamento, 68% dos pacientes abandonaram o uso de crack, e posteriormente também cessaram o uso de maconha. O estudo foi publicado na conceituada revista científica americana Journal of Psychoactive Drugs, em 1999.

A campanha pela legalização da canabis ganhou força a partir das décadas de 1980 e 1990. No Brasil, foi uma das bandeiras do político Fernando Gabeira, que tentou implementar o cultivo do cânhamo para fins industriais. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é membro da Comissão Latino-americana de Drogas e Democracia, apoia a descriminalização da posse de pequenas quantidades para uso pessoal da maconha e afirma que a repressão resulta num aumento de violência e consumo. Mesmo assim, defende que criem-se mecanismos que desestimulem o uso das drogas em geral.

No Brasil, não existe mais a pena de prisão ou reclusão para o consumo, armazenamento ou posse de pequena quantidade de drogas para uso pessoal, inclusive maconha. Também não há pena de prisão para quem “para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância” capaz de causar dependência. O artigo 28 da lei nº 11.343/2006, prevê novas penas para os usuários de drogas, como advertência sobre os feitos, prestação de serviços à comunidade e programas educativos.

Na próxima matéria falaremos sobre os efeitos positivos e negativos da maconha no organismo! Até lá.




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