Após protesto, município estipula prazo de 30 dias pra concluir ‘‘Trevo da Morte‘‘

Manifestantes usaram faixas criticando omissão da prefeitura e DER

Cerca de 50 pessoas participaram ontem de manhã (8) de um protesto pacífico no trevo de acesso ao conjunto de chácaras de Padre Nóbrega, na SP-294 (Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros), local já chamado de “Trevo da Morte”, onde, apenas na última semana, três pessoas morreram vítimas de graves acidentes.

Com faixas com os dizeres “O Trevo da Morte! Aqui já morreram mais de 30 pessoas por omissão do DER (Departamento de Estradas e Rodagens) e Prefeitura”, os manifestantes pediam a conclusão das obras, paradas desde agosto.

“Queremos chamar a atenção pelo descaso com este trevo, que se transformou em uma armadilha no meio da pista. Praticamente não há sinalização, o mato está alto e existe até boca de lobo que está invadindo a pista. A situação é absurda. A prefeitura deveria responder por homicídio doloso (quando há intenção ou assumi-se o risco de matar) por cada pessoa que morreu aqui”, afirma Marcelo Antônio Lázzaro Carli, um dos organizadores do evento.

E o ato trouxe resultado praticamente imediato, pelo menos em forma de promessa. O secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Nasrauí, o Ninho, que compareceu ao protesto acompanhado do novo prefeito de Marília, Ticiano Toffoli (PT), afirmou que as obras no trevo devem ser retomadas até o meio da semana que vem e devem ser finalizadas no prazo de 30 dias.

“Já está praticamente tudo acertado com a Sollis (Terraplanagem e Pavimentação Ltda, que abandonou a obra após calote da prefeitura). No máximo, até quarta-feira, a empresa vai recomeçar os trabalhos. Resta apenas a instalação das galerias, finalização da área de escoamento e urbanização. Em um mês, tudo estará terminado”, diz Ninho.

Ainda segundo o secretário, logo após a finalização da obra, a prefeitura vai solicitar ao DER a instalação de lombadas – eletrônicas ou asfálticas –, que visa a redução de velocidade dos motoristas que trafegam pela rodovia.

Ao final do protesto, manifestantes e autoridades deram as mãos e oraram juntos em homenagem às pessoas que morreram no local.


Três morreram em 7 dias

Em uma semana, três pessoas morreram no local. Na madrugada de 26 de fevereiro, Edna Muniz Dias Gati, 36, faleceu após batida entre Volkswagen Saveiro, de Guarulhos, e Volkswagen Gol, de Piracicaba. Bêbado, o motorista da picape, Marcos Fabiano dos Santos Pinto, 30, foi preso em flagrante e na semana passada teve a prisão convertida para preventiva.

Na noite do último sábado (3), José Francisco de Souza, 52, e José Rodrigues da Costa, 55, morreram no mesmo trevo. O primeiro, que pilotava moto Honda CG Titan, com placas de Marília, se atrapalhou com a má sinalização e se chocou com montes de terras existentes no local.

Em outubro de 2009, a morte de três pessoas também em espaço curto de tempo foi crucial para a adoção de medidas emergenciais no local que, no ano passado, culminou com a implantação de um novo, orçado em pouco mais de R$ 360 mil. As obras foram iniciadas em maio, mas acabaram abandonadas em agosto.

Vendedor que perdeu parente critica sinalização

A obrigatoriedade dos usuários da SP-294 em dar preferência aos condutores que utilizaram a rotatória do trevo foi alvo de críticas do vendedor Aparecido Pereira de Andrade, 58, que sentiu na pele o sofrimento de uma família que perdeu alguém no local. Em outubro de 2009, sua sobrinha Elaine Cristina Galvani, 32, grávida de cinco meses, morreu após acidente entre carro e moto.

“O que acontece aqui não existe isso em lugar nenhum do mundo. É um absurdo. Facilmente um caminhão vai passar por cima de algum carro que frear para dar preferência a um usuário da rotatória. Esta sinalização deve mudar urgentemente, senão os acidentes e mortes continuarão acontecendo”, disse.

Questionado, o secretário de obras Ninho falou que a sinalização está correta. “Ela foi baseada no Código de Trânsito Brasileiro”, falou.




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3 Comentário(s)

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  1. Alex comentário:
    Ninho, Tupã não seguiu o código de Trânsito Brasileiro e sim o "bom senso" e o trevo de lá, não mata tanta gente como o daqui. O mesmo é em Parapuã, Junqueirópolis, Dracena, Paulicéia, Rancharia, Martinópilis, etc etc etc.
  2. Luis comentário:
    O poder público não tem culpa coisa nenhuma, o que acontece ali é imprudência de alguns condutores, que acabam morrendo...vão com Deus.
  3. Marcelo Carli comentário:
    Excelente matéria. Infelizmente vidas se perderam. Mas fica o compromisso dos nossos governantes em resolver imediatamente mais esta obra abandonada. Agradeço a adesão da imprensa e de todos que se solidarizam com a questão e fica o alerta para todos os munícipes que se sentirem abandonados: lutar pacificamente pelos seus direitos, pois não são favores, mas sim frutos dos nossos suados impostos.