Nelsinho comanda reunião para manobrar R$ 10 milhões
Em pleno desacordo com a Justiça, o chefe de gabinete e secretário da Fazenda afastado por corrupção, Nelson Grancieri, o Nelsinho, continua dando as cartas dentro da prefeitura. O braço direito da administração Bulgareli/Toffoli foi flagrado na última quarta-feira (1) na garagem da secretaria de Obras Públicas comandando uma reunião com as presenças do secretário da pasta, Antônio Carlos Nasraui, o Ninho, e do diretor-presidente da Codemar, Rosa Lima.
O assunto em pauta foi a destinação dos R$ 10 milhões levantados pela prefeitura com a venda da folha de pagamento dos servidores municipais ao Banco do Brasil, após manobra e quebra de contrato - R$ 12 milhões - que tinha vigência até 2013.
Contrariando o informado pelo secretário de Economia e Planejamento, e da Fazenda (em exercício), Adelson Lélis, no início da semana passada, o dinheiro não irá para os cofres do Ipremm (Instituto de Previdência do Município de Marília), que apenas em 2011 levou calote de R$ 24 milhões da prefeitura.
Segundo apurado pela reportagem do Diário, esse recurso será integralmente repassado para o programa de recapeamento e operação tapa-buracos. Um destino nobre, não estivesse a empresa paulistana que deve levar R$ 7 milhões dessa bolada sendo investigada pelo Ministério Público por fraudes na execução dos serviços.
E pior. O representante da empresa escolhida por Nelsinho que estava presente na reunião é José Ferreira Alencar, que até quarta-feira passada estava lotado como coordenador de serviços diversos dentro da própria secretaria de Obras Públicas.
E como não fosse o bastante, o Diário Oficial do município do último dia 1º de fevereiro trouxe a exoneração de Alencar - que não possui curso superior ou qualquer pré-requisito necessário para o exercício da função - do cargo e nomeou para a vaga ninguém menos que sua esposa, a dona de casa Andréia Deodato da Silva.
Enquanto isso, a Codemar se contentará com os R$ 3 milhões restantes, mesmo sendo uma empresa com investimentos municipais e com competência e idoneidade para realizar os serviços.
Entenda a manobra da prefeitura
Em mais uma estratégia para conseguir recursos a qualquer custo e deixar o ônus para o próximo governo, a prefeitura publicou na edição do Diário Oficial de 27 de janeiro ratificação e dispensa de licitação com o Banco do Brasil para prestação de serviços referentes a folha de pagamento, quebrando o contrato já existente, que tinha validade até 2013.
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A manobra permite que a prefeitura ganhe imediatamente da instituição financeira aproximadamente R$ 10 milhões, dinheiro que pode ser utilizado para qualquer fim. O valor é praticamente igual ao recebido em 2008, quando o município fez o mesmo procedimento com o banco. Vale ressaltar que esse primeiro contrato foi considerado irregular pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) e rendeu multa de aproximadamente R$ 3,4 mil ao prefeito Mário Bulgareli.
Defesa tenta derrubar liminar para afastamento
A defesa de Nelson Granciéri está tentando reverter a decisão judicial que o tirou dos cargos públicos no início de outubro do ano passado. O afastamento das funções foi deferido pelo juiz da 4ª Vara Cível de Marília, Valdeci Mendes de Oliveira, em acusação formal feita pelo Ministério Público por esquema de cobrança de propina encabeçado por Nelsinho para liberar pagamentos à empreiteiras que prestaram serviços ao município. Empreiteiros confirmaram o caso. Segundo o advogado de defesa, Carlos Mattos, o pedido foi protocolado para o próprio juiz que sentenciou o afastamento, para que o mesmo “reveja sua decisão”.
“Esperamos conseguir que a liminar seja novamente julgada e que o Nelsinho possa voltar às suas funções, pois ele somente está afastado, mas continua com os cargos”, explica Mattos.
Como o juiz responsável retornou de férias na última semana, o processo somente teve as petições conclusas e subiu para o gabinete na sexta-feira (3). Segundo apurou o Diário, por tratar-se de uma ação de amplo interesse público, Oliveira está analisando o processo com cautela para chegar a uma decisão definitiva. Até o final da tarde de sexta-feira o processo não foi julgado e não tinha retornado ao cartório da vara responsável.
No mesmo dia as conversas internas no alto escalão da prefeitura davam como certo o retorno de Nelsinho aos cargos, já a partir de amanhã (6), mostrando a confiança em uma decisão favorável na Justiça.






