Dirceu: distrito histórico sofre com a falta de estrutura básica
Na sequência da série especial sobre os distritos de Marília vem a história de Dirceu. Apesar de ser o distrito mais antigo da cidade ainda sofre com as questões de infraestrutura e que aparentam estar longe de uma resolução.
Com cerca de 800 habitantes, Dirceu está localizado a 10 quilômetros de Marília e pode ser acessado por dois trechos. Um pela estrada de terra que liga o distrito ao Jardim Aeroporto ou pela rodovia SP 333, sentido Marília - São José do Rio Preto. De acordo com os documentos da Comissão de Registros Históricos da cidade, o patrimônio de Dirceu foi fundado pelo lendário Bento de Abreu Sampaio Vidal que adquiriu as terras em 1926.
E de lá para cá pouca coisa mudou, a população cresceu, por outro lado os problemas também aumentaram, mas a tranquilidade é a mesma de 86 anos quando o povoado foi formado.
Segundo o pedreiro Aparecido Pereira, 49, morador do distrito desde criança, não há nada que compense a tranquilidade do lugar. Ele completa dizendo que não moraria em um local maior, mesmo com todas as necessidades. “É uma delícia morar aqui. Não tem ninguém para perturbar e as pessoas são todas conhecidas. Realmente não tenho o que reclamar neste aspecto”.
A economia de Dirceu e das propriedades rurais a sua volta depende em sua maioria da pecuária. Enquanto uma parte da população trabalha nas propriedades rurais, outra se dedica às atividades exercidas no distrito industrial de Marília. Já algumas mulheres têm como fonte de renda os trabalhos esporádicos como diaristas em casas de família.
No decorrer do tempo o distrito sofreu algumas perdas como a escola, onde funcionava o ensino fundamental. Mas segundo os moradores não foi uma perda significativa, já que o ensino não tinha a qualidade das escolas de Marília.
Atualmente, cerca de 150 crianças saem todos os dias para estudar em colégios de Marília. Assunto que caracteriza uma das reclamações da população é o transporte escolar de má qualidade que há mais de 20 anos é igual.
Dirceu homenageia poeta brasileiro
A escolha do nome do distrito se deu para homenagear o poeta Tomaz Antônio Gonzaga. Em seu livro de sonetos e louvor ele chamava sua noiva Maria Dorotéia de Seixas, poeticamente de “Marília” e o autor “Dirceu”. Assim o povoado que se localizava tão próximo a Marília, teria uma contemplação amorosa pela cidade.
Apenas dez anos depois de sua fundação, é que o povoado se tornou distrito de Marília, em 24 de janeiro de 1936, regido pela lei nº 2.621 e nomeado o escrivão Joaquim Simões de Mello. Ele faleceu alguns anos depois e o cartório foi provido interinamente por vários cidadãos.
Pela proximidade de Marília, o rendimento do cartório era insuficiente para a manutenção de um tabelião e o Tribunal de Justiça do Estado, extinguiu o distrito de paz através de resolução, anexando à sede de Marília e os documentos recolhidos para lá.
O povoado foi formado originalmente com doze quarteirões cortados por seis ruas denominadas Sampaio Vidal, Cincinato Braga, São Paulo, Liberdade, Campinas e Rio Claro. Hoje as vias permanecem exatamente como naquela época.
Saúde e transporte são precários
O distrito de Dirceu possui deficiências nos serviços indispensáveis como saúde, estradas e transporte. A reforma do posto de saúde da família já dura seis meses com investimento municipal de R$ 153.718,50. Segundo a dona de casa Rose Pires, 27, o atendimento médico da população é feito no PSF do Jardim Novo Horizonte a cinco quilômetros do distrito ou na unidade da Fazenda do Estado a 30 quilômetros.
“Há uma van para transporte, mas nem sempre há vagas e quando chove não tem acesso ao distrito”, reclama.
No quesito estradas e pontes a situação é precária e segundo o morador Carlos Alberto Francisco, em temporada de chuvas é quase impossível chegar ou sair do distrito. “A ponte precisa de reparos e a estrada de compactação de cascalho. Caso contrário, as crianças não podem estudar nem a população buscar atendimento médico”.
Segundo o subprefeito do distrito Roque Deróbio, até o final de fevereiro o posto de saúde será reaberto. Já as estradas ele afirma que há dificuldades em conseguir os equipamentos para realizar os serviços.






