Para Silvia Nascimento a filantropia vem de berço
Talhada para as ações sociais, Silvia Acetose Nascimento não se deixa abater. Ela nunca diz não. “Nasci para servir e faço porque gosto. Se não posso fazer mais ao menos ajudo a minimizar o sofrimento. Gosto das pessoas, este contato direto me faz um bem enorme”, diz a socialite e filantropa.
Figura conhecida em Marília, ela não passa desapercebida por onde anda. Não apenas pela aparência sempre impecável, mas pelas ações que marcam sua vida, em prol dos mais necessitados. A filantropia herdou da mãe Vani Acetose, ainda na infância.
Madrinha de muitas instituições de caridade e participante ativa de todos os clubes de serviços e entidades - também integra o Conselho de Defesa da Mulher - Silvia Nascimento iniciou suas ações há 20 anos na Maternidade Gota de Leite e em entrevista ao jornal Diário falou de sua trajetória desde a infância em Araraquara, sua cidade natal até projeções para Marília, que adotou como seu segundo lar.
Silvia chegou em Marília em 1977, casada com o advogado e agropecuarista Vanderlei Nascimento. Mãe de André e Leonardo, com apenas um ano de diferença entre um e outro, ela sentiu o apoio dos vizinhos em sua primeira morada à avenida Santo Antonio. Foi Ruth Barion que a apresentou às pessoas. No início fez uma filantropia mais indireta, aos poucos foi se engajando nos projetos e ações sociais e se encontrou no caminho indicado pela mãe, desde a mais tenra idade.
“Sou muito mais beneficiada e fico feliz a cada ação praticada, a cada ato de solidariedade plantado. O carinho que recebo de todos é enorme”, diz ela, católica de berço, mas sem nenhuma distinção quando o assunto é auxiliar ao próximo.
“Não importa a religião. Em Marília as pessoas são solidárias, vivo pedindo, vendendo convites. Marília tem o coração generoso, solidário”, enfatiza.
Mas todo trabalho de voluntariado tem base na família. Sem o apoio do marido e dos filhos garante não seria possível tanta dedicação e disponibilidade. Administradora de sua própria casa e atenta à formação dos filhos ela enfatiza: “Tudo o que se faz com amor, quando você coloca a mão floresce”. Atualmente enumera mais de 30 instituições e clubes de serviço dos quais participa. Resultado da credibilidade que também conquistou.
Sempre presente e ao lado das primeiras damas - ao longo dos anos - no Fundo de Solidariedade, Silvia começou com Paula Almeida, na primeira administração Camarinha, mas garante que não vislumbra a política, a não ser uma boa atuação dos atuais governos para que as cidades, Estado e País continuem a crescer com mais humanidade. “Recebi convites para ingressar na política, mas meu trabalho é sem vínculos. Sou feliz assim e estou feliz com a Dilma (presidente do Brasil). Confio nela. Não dá para misturar as coisas e quero continuar trabalhando por Marília.”
Uma infância feliz em redoma de “cristal”
Silvia Nascimento é araraquarense, filha da dona de casa Vani Acetose e do advogado Valdomiro. Na cidade natal ainda vive o único irmão, o médico Luis Fernando Acetose. Atualmente em Brasília estão o filho André, a nora Ellen e a neta Sarah, 2. Em Marília, com ela o marido Vanderlei, vive o filho Leonardo. A disponibilidade e bom humor vem da infância feliz que viveu em Araraquara, cercada de muito carinho e muitas amigas.
“Fui muito mimada e tenho orgulho da criação que meus pais me proporcionaram. Sou pé no chão e enfrento os obstáculos da vida com firmeza. Alguns até dizem que sou antipática, porque sou ‘produzida’. Sou uma pessoa simples, comum, fui criada assim. Aos 7 anos de idade representei uma boneca viva. Sou super vaidosa, fui rainha dos estudantes, desfilava em carros alegóricos no Colégio Progresso, onde estudei, mas também soube reconhecer desde cedo o trabalho de Carmem Prudente (fundadora da Rede Feminina de Combate ao Câncer), que foi meu ídolo e a quem tive o privilégio de entregar ramalhete de flores na escola. Ela sim, era a dama da filantropia. E sigo o exemplo de minha mãe.”
Dona Vani era diretora da Rede Feminina de Combate ao Câncer e participava dos clubes de serviço.
À pequena Silvia restava a dedicação aos estudos - é formada em pedagogia e no Conservatório Dramático e Musical de Araraquara. Recebeu convite para curso com o professor Sousa Lima. Sua aspiração era a música, chegou a ser convidada para dar aulas, mas com o casamento veio para Marília e mudou os rumos.
Companheiras destacam apoio
Entre as muitas instituições que recebem o apoio de Silvia Nascimento está a ACC (Associação de Combater ao Câncer). A parceria começou há 12, 13 anos com o lanche da radioterapia. A presidente da entidade Claudine Simões Barion destaca a ação de Silvia em todos os eventos, incluindo servindo o chá. “Ela é uma figura muito conhecida - madrinha de várias entidades -, com seu jeito expansivo consegue arrecadar, vender convites e está sempre disposta, organiza feira da sobremesa. Disponível, com ela não tem tempo quente e é uma pessoa muito querida.”
A coordenadora do Lar de Meninas “Amélie Boudet”, Maria de Fátima Ferraz Motta vai além. “Somos uma família. Há 12 anos a Silvia participa da entidade. Ela e o sr. Vanderlei estão sempre presentes, são muito importantes para o Lar, colaboração na manutenção e principalmente o carinho que dispensam às meninas, é uma ação sem fim.”
A amiga Marília Martinelli Ramos foi uma das madrinhas de Silvia na Casa da Amizade, em 1977, ao lado de Aracy Zambom e Wanda Siqueira. Para ela a “afilhada” é uma “pessoa muito especial, leal, vive em função de servir. Uma prática que herdou de berço. Ela imita a mãe que também foi de servir. Encontra tempo para servir sem deixar de ser excelente esposa e mãe dedicada. A cidade de Marília é privilegiada de ter adotado uma pessoa com as qualidades dela.”
Música e vaidade
Ao som da 9ª Sinfonia de Beethoven, Valdomiro Acetose descansava assim que chegava do Fórum, enquanto dona Vani colocava a mesa do jantar. A obra era executada pela filha, Silvia. “Isto marcou muito a minha vida”, diz ela que também era estimulada à leitura. Hoje, seu maior lazer é o piano que ganhou aos 7 anos de idade e ainda guarda em um canto especial em sua casa.
O dia-a-dia é repleto. Começa com orações matinais, depois vem a prática de pilates e aeróbica - a preocupação é com a saúde e qualidade de vida, “a estética é consequência”. De volta da academia, segue a agenda de reuniões, visitas, eventos; os cuidados com a família e a casa. Nas horas vagas se dedica aos trabalhos manuais - tricô, crochê, bordados - sempre com peças a serem doadas para os bazares, feiras....
“Adoro esta cidade (Marília). Tenho raízes em Araraquara, mas Marília é bonita, bem delineada. Adotei e fui adotada - recebeu o Título de Cidadã Mariliense em agosto de 2003. Quando abro a janela do meu quarto avisto a cidade e como meu pai dizia ‘a casa da gente é o túmulo da vida’. Aqui tenho muitas amizades”, conclui.






