Jovens aproveitam o trote estudantil
Começou a temporada dos bixos. Durante a última semana foi possível encontrar nos semáforos da cidade grupos de adolescentes aprovados no vestibular pedindo dinheiro para os motoristas.
O dinheiro arrecadado segundo eles será gasto nas festas de confraternização entre os calouros e veteranos.
Pedro Henrique Santos Brisi, 19, fez um ano de cursinho para passar em administração de empresas na Unesp de Tupã. Com o rosto e os braços pintados de batom, o estudante que pediu dinheiro no semáforo da avenida Tiradentes durante quatro horas disse que não se incomoda com os trotes. “É como um ritual de passagem para a vida universitária. É uma vez na vida, tem que aproveitar de alguma forma”.
Pedro vai ter que se mudar para Tupã, mas não precisa morar em república. “Vou ficar na casa de familiares que já moram lá. É mais confortável e melhor do que ter que dividir casa com pessoas que não conheço”.
Breno Prado, 18, passou no curso e na universidade que pretendia durante o ensino médio. Ele vai estudar Biologia na UEL (Universidade Estadual de Londrina). As aulas começam em março e até lá o estudante terá que encontrar um lugar para morar e estudantes para dividir o aluguel. “Não é difícil encontrar gente para dividir as despesas. Tem muitos bixos que estão na mesma situação precisando formar uma república”. Breno também foi pintado de batom pelos veteranos e teve que arrecadar dinheiro no sinal. “A única parte ruim é ter que ficar embaixo de sol, mas fora isso não me incomodo. O trote que estão fazendo com a gente é saudável. Se fosse uma coisa mais agressiva eu não participaria”. Os calouros ficaram durante quatro horas pedindo dinheiro no semáforo da avenida Tiradentes e conseguiram arrecadar mais de R$ 200.
Trote solidário
Parte das instituições de ensino baniu a prática do trote depois de alguns casos violentos, e substituiu por ações solidárias (também chamado de trote cidadão), no qual o calouro doa sangue, planta árvores ou faz algum trabalho comunitário, conhecendo a forma de vida de alguma comunidade carente na cidade onde está a instituição.
Também é comum algumas escolas formarem salva-calouros, veteranos fiscais que se voluntariam para controlar o nível dos trotes.
Ainda assim, a melhor forma de evitar o trote violento é não submeter-se a ele. Se o calouro perceber que o nível do trote está ameaçando sua saúde física e/ou mental, ele deve imediatamente retirar-se das atividades.
No entanto a versão amena do trote, que mistura cabeças raspadas, pintura corporal, “pedágios” e “aulas-trote” (em que um veterano se faz passar por um professor tirano), continua sendo feita e parece não incomodar a maioria dos jovens, que encaram o trote como boas vindas a vida universitária.






