Após reunião de chefias, policial denunciado fará escolta de presos
Uma reunião entre as chefias do Deinter-4 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior) e da Delegacia Seccional de Marília selou a transferência do investigador Aurísio Vieira de Mello Júnior, denunciado pelo Ministério Público por dar suporte logístico à quadrilha de Alex Amarildo de Oliveira, 27, o Rico, durante os ataques atribuídos à Guerra do Tráfico, para o setor de escolta da Polícia Civil.
Informação é do delegado Benedito Antônio Valencise, diretor do departamento responsável por 89 cidades da região de Bauru, inclusive Marília. Decisão foi tomada no meio da tarde de ontem (2) após uma conversa com o delegado Luiz Fernando Quintero, seccional de Marília, e comunicada ao investigador logo em seguida. Até então, Aurísio se mantinha atuante no NECRIM (Núcleo Especial Criminal).
“Com esta mudança, ele não terá nenhum contato com o público e nem com o setor investigativo. A situação será mantida até que as investigações da sindicância interna se encerrem. É uma acusação grave e estamos mostrando transparência”, afirmou Valencise.
Ele ainda completou, dizendo que toda documentação referente ao caso foi encaminhada à Corregedoria da Polícia Civil ainda em dezembro passado.
A desconfiança de que o policial civil seria remanejado surgiu ainda pela manhã durante entrevista por telefone realizada pela reportagem do Jornal Diário com o próprio Valencise. “A imprensa e a população podem ter certeza de que vamos tomar providências quanto ao caso”, afirmou por volta das 11h30. A confirmação aconteceu cinco horas mais tarde.
ENTENDA
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Aurísio mantinha contato telefônico e pessoal com Arilson José Dessia, homem de confiança de Rico. A troca de informações tinha como objetivo localizar membros da quadrilha rival, chefiada por Edson Santos da Silva, o Dinho.
O policial civil ainda seria um dos responsáveis pelo fracasso de uma operação deflagrada em novembro do ano passado e que tinha como alvo o bando de Rico. Aurísio teria alertado Arilson no dia anterior à ação.
Defesa diz que ele coletava informações
A reportagem do Jornal Diário tentou contato ontem (2) com advogado Cristiano Mazeto, defensor de Aurísio, no entanto foi informada que o profissional estava em viagem e só deve retornar hoje.
Na quarta-feira, Mazeto afirmou em entrevista coletiva que o investigador estava coletando informações e as repassando para o setor de inteligência da Polícia Civil. Segundo o advogado, Aurísio tinha um informante e inclusive utilizava a linguagem dos criminosos para estimular a entrega de dados referentes ao bando.
“Ele tinha um informante e tudo o que ele coletava, repassava aos responsáveis pelas investigações. Foi graças a este artifício que vários crimes foram desvendados pela polícia”, alegou na ocasião o defensor.
Mazeto também disse ter obtido um habeas corpus que impedia o indiciamento de seu cliente e, caso a denúncia seja aceita pela Justiça, ele estuda entrar com pedido de trancamento da ação.






