Em crise financeira, UTQ pode deixar 62 municípios sem atendimento
Após um ano de funcionamento, a UTQ (Unidade de Terapia de Queimados) que funciona na Santa Casa de Marília passa por séria crise e corre o risco de suspender os atendimentos, caso o déficit mensal de R$ 70 mil não seja sanado pelo poder público.
A notícia foi dada ontem em primeira mão ao Jornal Diário pelo provedor da Irmandade, Milton Tédde.
“O recurso enviado pela união é baixíssimo e não cobre metade dos gastos com os atendimentos. Ainda não sabemos se vamos continuar com os atendimentos e se o município vai arcar com a responsabilidade”, desabafou o provedor.
O custo mensal para a média de 150 atendimentos mensais da UTQ que atende 62 municípios da região gira em torno de R$ 120 mil e apenas R$ 48 mil são repassados pelo Ministério da Saúde para cobrir os gastos da unidade. Recurso que desde o início das atividades, a provedoria considerava insuficiente para a manutenção.
A unidade que permaneceu fechada três anos foi ampliada de 170m² para 310m². Ao todo, são três leitos adultos, um de isolamento e três pediátricos. Os quartos são equipados com regras de atendimento de urgência e respirador adulto e infantil, tudo recomendado pelo Ministério.
“A população não sabe avaliar quantas pessoas são queimadas por mês na região. Quando fechamos a unidade e uma mãe e um filho se queimavam, um era levado para Catanduva e o outro para Bauru. Era um absurdo”, disse Tédde.
Segundo o provedor a união entre o SUS (Sistema Único de Saúde) e o município poderia solucionar os problemas da UTQ e impedir que unidade feche as portas e deixe mais de um milhão e meio de pessoas sem assistência para queimados.
Prefeitura não apresenta solução
Em resposta ao jornal Diário a prefeitura não apresenta nenhuma solução e menciona valores diferentes que os apontados pela Santa Casa.
Segundo nota da assessoria de imprensa a produção apresentada e faturada pelo hospital referente à UTQ no período de março a dezembro de 2011 teve como média o valor de R$ 22.500 mil ficando abaixo do recurso financeiro destinado para custear os procedimentos efetuados mensalmente pela unidade.
Questionada sobre uma solução para impedir o fechamento da UTQ, a prefeitura não menciona qualquer planejamento em conjunto com o governo do estado ou federal para manter a unidade funcionando.
O provedor da instituição Milton Tédde, disse que os valores apresentados pela prefeitura não condizem com a realidade da UTQ e tem documentos que comprovam os custos da manutenção mensal.
“Nossa unidade possui médicos e uma equipe completa de plantão 24 horas por dia, o que prova que nossos gastos vão muito além deste valor divulgado”.






