Brasileira estrela “Filha do Mal”

Sensacionalista, produção choca com doses de veracidade

Desde o sucesso de “A Bruxa de Blair”, em 1999, o subgênero de “found footage” (filmes de terror que se passam por documentários e incluem cenas supostamente reais) tem triunfado nas bilheterias. Não é à toa que a série “Atividade Paranormal” vai para o quarto filme.

“Filha do Mal” (The Devil Inside, EUA, 2012), direção de William Brent Bell é mais um nessa longa lista. Produzido por US$ 1 milhão, rendeu quase US$ 53 milhões nos Estados Unidos em menos de um mês (pode esperar que venham aí “A Neta do Mal”, “A Bisneta do Mal”...). Com Fernanda Andrade e Simon Quarterman.

O lado bom dessa história - talvez o único - é mostrar que plateias modernas, acostumadas a efeitos especiais milionários, podem lotar um cinema para ver um filme B propositalmente tosco, segundo André Barcinski, para a Folhapress.

“Filha do Mal” parece uma mistura de “A Bruxa de Blair” com “O Exorcista”. Conta a história de Isabella (Fernanda Andrade), que vai a Roma com um documentarista - todos esses filmes têm um documentarista - descobrir o que aconteceu com sua mãe, internada num hospício depois de matar três pessoas.

Para dar um pouco de “veracidade”, o filme usa supostas gravações de chamadas policiais, cenas de arquivo e até uma contorcionista, para simular os efeitos da possessão demoníaca.

Isabella descobre que sua mãe não está possuída apenas por um demônio, mas por um time de basquete inteiro.

O filme é o que a crítica Pauline Kael (1919-2001) costumava chamar de “boo movie” (“filme bu”, piada com filme B): uma sucessão de cenas em que o monstro surge do nada e choca o público. Pelo menos “Filha do Mal” é ousado. O filme abre com um dos truques mais sensacionalistas desde o advento do cinema: um aviso que diz que “o Vaticano não apoiou e não ajudou a produção desse filme”. Só faltava Bento 16 fazer uma ponta.




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