Investigador e PM davam suporte à quadrilha de Rico, diz denúncia
O investigador da Polícia Civil, Aurísio Vieira de Melo Júnior, e o cabo da Polícia Militar, Rubens Rogério de Oliveira, foram denunciados pelo Ministério Público por darem suporte logístico à quadrilha de Alex Amarildo de Oliveira, 27, o Rico, durante os ataques à gangue rival, comandada por Edson Santos da Silva, 26, o Dinho, na conhecida Guerra do Tráfico.
Antes sob segredo de Justiça, o processo 1547/2011 corria na 3ª Vara Criminal, no entanto foi redistribuído a mando judicial para a 1ª Vara Criminal sob a inscrição 132/2012 e sua consulta tornou-se pública. A peça acusatória, assinada pelo promotor Gilson César Augusto da Silva, foi encaminhada ao juiz José Roberto Nogueira Nascimento na segunda-feira (30). Ele ainda não deu parecer sobre o caso.
Por enquanto, o magistrado apenas se manifestou pedindo o desmembramento do processo – ele pede que os comparsas de Dinho respondam separadamente dos cúmplices de Rico – e ordenando a prisão preventiva de 13 dos 31 réus. Os policiais, no entanto, deverão responder em liberdade.
A reportagem do Jornal Diário teve acesso ao documento ontem, inclusive ao relatório de 45 páginas feito pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) com base em conversas telefônicas monitoradas por quase dois meses.
ENTENDA
Segundo a denúncia do Ministério Público, Aurísio matinha contato telefônico e pessoal com Arilson José Dessia, homem de confiança de Rico. A troca de informações tinha como objetivo localizar membros da quadrilha de Dinho.
Em uma das conversas, o investigador menciona a possibilidade de ministrar um curso de pontaria e munição, dizendo “ninguém morre nesse tiroteio”. Ele se referia aos ataques contra imóveis, onde casas eram alvejadas por tiros de diversos calibres.
Aurísio ainda é citado como um dos responsáveis pelo inexpressivo resultado de uma operação deflagrada pela Polícia Civil no dia 23 de novembro. Convocado a participar da ação, ele ligou para Arilson duas vezes no dia anterior. Um problema operacional impediu que a conversa fosse captada. No entanto, naquele mesmo dia 22, Arilson liga para Rico e o informa que haveria buscas contra ele.
+ informações
Ainda de acordo com a Promotoria, Rubens era o contato de Arilson dentro da Polícia Militar. “Ele era o responsável por transmitir informações sobre a localização de viaturas, bem como elementos que pudessem auxiliar no encontro de membros da quadrilha rival”, diz trecho da denúncia.
“Em todos eles (diálogos) fica nítido que o policial, a despeito de saber da disputa armada entre as duas gangues da zona sul de Marília, mostra-se disposto a combater somente uma delas, a chefiada por Dinho, enquanto mantém estreito relacionamento com Arilson, peça chave na quadrilha de Rico”, completa.
Tanto o investigador quanto o cabo da Polícia Militar foram denunciados com base no artigo 288 do Código Penal (formação de quadrilha). Pelo crime, cada um pode pegar de um a seis anos de prisão em regime fechado.
Acusados continuam trabalhando
Tanto o investigador Aurísio Vieira de Melo Júnior, quanto o cabo Rubens Rogério de Oliveira, continuam exercendo as suas funções no NECRIM (Núcleo Especial Criminal) e no 9º Batalhão da Polícia Militar do Interior, respectivamente.
Segundo o capitão Marcos Boldrin, do setor de comunicação da Polícia Militar, assim que Polícia Civil notificou a corporação das investigações contra Rubens, ele foi recolhido ao quartel e atualmente executa serviços administrativos. Antes, ele patrulhava a região central. Também foi instaurado um procedimento interno para verificar a conduta do cabo.
“Estas são práticas normais. Recebi com surpresa, já que nunca tivemos queixas contra ele”, afirma. Ainda segundo Boldrin, caso seja comprovada a ligação de Rubens com criminosos, ele pode até ser expulso da Polícia Militar.
Já o delegado-corregedor da Delegacia Seccional de Marília, Fábio Pinha Alonso, disse não ter tido tempo suficiente para analisar o caso e assim dar algum parecer.






