Obras paradas comprometem mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos
A situação de abandono a que a administração submeteu a cidade salta aos olhos da população. Tendo em vista o problema, o Diário promoveu durante a semana passada um levantamento junto as empresas contratadas pela prefeitura para tocarem algumas das principais obras anunciadas pelo prefeito Mário Bulgareli nos últimos anos e detectou um quadro, no mínimo, preocupante: são mais de R$ 60 milhões que hoje estão comprometidos em empreendimentos parados, que simplesmente não avançam pelos sucessivos calotes aplicados pela prefeitura ou por descumprimento de contratos.
A situação que mais impressiona é a do ginásio poliesportivo da avenida Santo Antônio. Dos R$ 12 milhões em investimentos previstos inicialmente para a conclusão da obra, o custo mais que dobrou e bateu a casa dos R$ 27 milhões, sendo que ainda não há qualquer projeção por parte da secretaria de Obras Públicas quanto a conclusão da parte externa do ginásio e sua liberação para eventos.
Inflacionado também ficou o custo da conclusão da barragem Ribeirão dos Índios. Entre 2001 e 2004 foram investidos aproximadamente R$ 4 milhões, mas logo que Bulgareli assumiu, em 2005, paralisou a obra que amenizaria o grave problema da falta d’água que atinge toda cidade e na última semana lançou edital prevendo a aplicação de mais R$ 12 milhões na barragem.
Outro caso que revolta o mariliense é o descaso com o Teatro Municipal. Há quase três anos fechado para o público, a reforma praticamente foi deixada de lado para que a próxima administração resolva e mais da metade dos R$ 800 mil já investidos estão longe de dar qualquer retorno.
Creches e escolas são as mais afetadas
A situação é generalizada, mas o maior número de obras emperradas pelo descaso da administração está concentrado na área da educação. Pelo menos 12 berçários, creches ou escolas estão na lista, afetando moradores dos mais diversos bairros da cidade.
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Em muitos casos, segundo informações dos próprios construtores entrevistados, a empreiteira é obrigada a deixar ao menos um funcionário no local para não caracterizar abandono. Contudo, os empreendimentos não avançam e os calotes, inclusive, acabam comprometendo a estabilidade financeira das empresas contratadas.
Um dos casos é o da Emei Arco Íris, localizada no Jóquei Clube, zona sul. A ampliação iniciada no local parou na fase final e até agora apenas enterrou os R$ 263 mil investidos.
Outro caso que gerou muitas reclamações por parte da população foi a paralisação da obra de uma creche para atender o Jardim Califórnia, bairro da zona oeste. A construtora Kaene alega calote de R$ 100 mil e espera o pagamento para cumprimento do contrato.
“Até agora a vizinhança se pergunta o que será feito no terreno, já que até o campo das crianças jogarem futebol foi destruído e nada de creche”, diz a estudante Fabiana Domiciano Américo, que tem uma sobrinha de dois anos que poderia ser beneficiada.
Alça de acesso vira novela
As obras da alça de acesso ao Marília Shopping na zona norte da cidade, estão paradas desde agosto de 2011. Isto porque a prefeitura tem uma dívida em torno de R$ 200 mil com a Maripav Pavimentação e Construção, responsável pela obra.
Segundo o proprietário da empresa Rafael Marangon Júnior para conclusão da obra faltam 200 metros e devem ser gastos mais de R$ 500 mil. Neste trecho que liga a alça a rodovia falta executar a terraplanagem e pavimentação.
A obra tem como objetivo ligar a SP-294 nos dois sentidos ao centro de compras e aos bairros da região, o que facilitaria muito para os moradores e para quem chega à Marília. Além de certamente ampliar o fluxo do comércio na área.






