Amadeu Amaral sofre com isolamento e falta de estrutura

Falta de asfalto, além de estradas precárias são os principais problemas

Com andamento às matérias especiais sobre os distritos, o Jornal Diário destaca neste domingo Amadeu Amaral. O distrito, está localizado a 17 quilômetros de Marília, sendo dez percorridos pela SP-333 sentido Marília-Assis e outros sete por estrada de terra.

Entre os principais problemas relatados pela população está a falta de pavimentação asfáltica e rede de esgoto adequada.

Rodeada por grandes fazendas, a população do distrito de 800 habitantes se sente isolada, já que a estrada principal que dá acesso à SP-333 não recebe manutenção. Desta forma o transporte das crianças para a escola e da população para o trabalho fica prejudicado.

A economia local está baseada na produção da melancia e café, além da pecuária.

Segundo o sub-prefeito Gines Gonçalves, nos tempos áureos, quando a rodovia cortava a cidade, o comércio e a vida dos moradores do distrito eram mais movimentados. “Naquele tempo até alfaiate tinha aqui e o acesso à Marília e outras localidades era muito mais fácil”, disse.

Hoje o distrito conta apenas com uma escola municipal de ensino fundamental que garante o aprendizado das crianças até o quarto ano. O nível dois do ensino fundamental é cursado no distrito de Avencas. Já o ensino médio é feito na cidade.

Apenas uma unidade de saúde funciona no local contando com um médico que atende duas vezes por semana, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem e dois agentes de saúde.

Não há bancos ou caixas eletrônicos no distrito e o serviço de correio é feito duas vezes por semana, mas uma agência está em fase de construção, onde também vai funcionar uma pequena lotérica para pagamento de contas. De acordo com o sub-prefeito a obra deve ficar pronta no mês de março.

A geração de emprego no distrito é quase zero, nos últimos anos apenas a segurança da Emef abriu cerca de cinco novas vagas que foram preenchidas por pessoas do distrito. A grande maioria da população trabalha em Marília, os homens no parque industrial e as mulheres prestam serviços de diarista. Como a dona de casa Sirlei Pereira Santana, 39, que conta sair ao menos duas vezes por semana do distrito para fazer faxina.

“Sempre quando falta dinheiro é preciso recorrer às diárias para não deixar todas as contas para o marido pagar”, disse.

O distrito possui sete ruas e apenas três delas têm asfalto, mas a estrutura completa com guias e sarjetas é vista somente em frente à Igreja Santa Isabel.

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De acordo com Gines Gonçalves o projeto para pavimentação das ruas se arrasta há anos. Como também os projetos de 25 casas populares e a implantação da rede de esgoto que daria lugar ao sistema de fossas.

Em 1397 distrito pertenceu a Campos Novos

Amadeu Amaral foi fundado por Romualdo Sanches. No início a “fazenda” levava o nome de Santa Isabel e logo depois foi vendida para Francisco Del Hoyo.

O povoado nasceu à margem esquerda do Rio do Peixe e à margem do Ribeirão da Cobra ou simplesmente Água da Cobra.

Instituído como distrito de paz de Campos Novos Paulista, comarca de Assis, em 10 de novembro de 1937. De acordo com a lei nº 3.128 teve suas terras desmembradas do distrito de Dirceu.

Seu primeiro tabelião foi o prático da Farmácia Nossa Senhora Aparecida, Benedito Feliciano. Devido às constantes doenças que afetavam o povoado o tabelião apelou ao Estado para sair do cargo.

Amadeu Amaral passou a ser distrito de paz de Marília em 4 de junho de 1965 já que a cidade ficava mais próxima da vila.

População reclama da falta da rede de esgoto

A pavimentação das ruas e a implantação do sistema de esgoto figuram como os problemas mais frequentes citados pela população. Segundo o lavrador Antônio Alves da Silva, 53, a situação melhoraria se o sistema de fossas utilizado desde a fundação do povoado fosse substituído por uma rede moderna de esgoto.

A pavimentação das ruas também é um projeto antigo reivindicado pelos moradores. “A qualidade de vida melhoraria muito se estes projetos se tornassem realidade. O distrito está abandonado e a erosão levando nossas ruas”, disse o lavrador.

Para a dona de casa Maria Sebastiana Ferreira, 41, o descaso com as ruas é muito grande e dificulta a saída de veículos. “Já teve dias de pessoas idosas precisarem de uma ambulância e não ter como o carro chegar à casa”, comentou.

O policiamento precário também é um problema levantado pelos moradores que relatam o aumento da criminalidade nos últimos anos. De acordo com a população os crimes são praticados geralmente por pessoas de fora que vão ao distrito justamente para praticar atos ilícitos.




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