Gestante com parto de risco peregrina 96 horas por internação
Com 38 semanas de uma gravidez de risco, a dona de casa Daiane Cristina dos Santos Lima da Silva, 21, passou por verdadeira peregrinação ao lado da sogra, Marilda Pereira Leite da Silva, 44, em busca de atendimento médico e internação para o nascimento de seu bebê.
Na sexta-feira (20), Daiane passou mal e foi até o HMI (Hospital Materno Infantil). Lá Daiane afirma que não foram feitos exames, mas apenas aplicaram glicose na veia e logo após foi liberada. Na ocasião os funcionários do hospital alegaram não ter leitos disponíveis para internação.
Na manhã de ontem (23), por volta das 8h30, Daiane foi ao posto de saúde no bairro Parque das Nações onde mora e recebeu a notícia do médico de que já estaria na hora de ser internada para fazer uma cesariana. Daiane é hipertensa e o bebê corria risco de morte.
De acordo com a sogra Marilda as duas tiveram que se deslocar de ônibus para o Hospital Maternidade Gota de Leite, para onde foi encaminhada já que a ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionada e não chegou ao local a tempo. Na instituição por volta das 11h ela não foi atendida devido a complexidade do caso.
“Esperamos mais de 30 minutos e só quando já estávamos no ônibus que ligaram do posto de saúde dizendo que a ambulância estava a caminho”, disse Marilda.
Com dores e sem saber exatamente o estado do bebê às 15h a gestante recorreu ao promotor da Vara da Infância e da Juventude, Jurandir Affonso Ferreira. O promotor entrou em contato com a diretoria do HMI para que ela fosse encaminhada para fazer todos os exames. Só depois desta intercessão Daiane foi encaminhada de ambulância ao hospital onde fez exames e foi internada.
Daiane descobriu o quadro de hipertensão no terceiro mês de gestação e desde então não teve acesso pelo SUS a exames comuns a qualquer gestante como ultrassom ou o amniocentese, exame que detecta doenças genéticas na criança.
Até o fechamento desta edição Daiane estava prestes a entrar na sala de parto para realizar a cesariana.
HMI garante que há leitos disponíveis
Segundo o diretor do Hospital Materno Infantil, Antônio Carlos Ribeiro, há 16 leitos para gestantes na maternidade e apenas seis ocupados. Portanto havia leitos suficientes caso a paciente precisasse de internação.
E desde a busca por atendimento feito por Daiane na última sexta-feira (20) todos os exames foram feitos. “Realizamos todos os exames para verificar a situação de saúde da gestante e do bebê”.
Já o secretário de saúde Júlio Zorzeto garantiu que todo o pré-natal da gestante correu dentro da normalidade na USF do Parque das Nações e que apenas na 33ª semana de gravidez Daiane apresentou quadro de alteração na pressão arterial e foi orientada conforme o protocolo médico. “Ao que tudo indica o acompanhamento pela unidade de saúde da família foi como de todas as gestantes sem nenhuma ocorrência grave”, disse Zorzeto.






