O prazer da leitura
Muito se tem falado sobre a tendência do hábito de leitura do livro tradicional desaparecer e gradualmente ser substituído pelos IPads, notebooks e outros meios eletrônicos como os telefones celulares. Embora seja real o aumento de leitores do formato virtual, a sensação e o prazer em folhear um livro “lambendo o dedo e virando a página” nunca será possível através do meio tecnológico. Quem já não se esqueceu das horas e nem percebeu o passar delas folheando um livro interessante? Uma simples leitura de poesia traz a tona tantos sentimentos além de desenvolver em nos um olhar mais sensível sobre o mundo. Há lugares que propiciam a leitura como uma Biblioteca, pelo respeito ao silêncio. Outros ambientes como as livrarias com seus cantinhos especiais de leitura e seu charmoso café como a Livraria Milani de Marília. Mas a leitura embaixo de uma árvore é também uma forma muito agradável de unir dois prazeres: a leitura e a natureza. Parques, praças e bosques são locais preferidos para leitura em outros países, mas, infelizmente no Brasil não temos segurança para frequentar estes locais e ler tranquilamente nosso livro preferido. Cabe as Bibliotecas públicas e escolares a importante missão de disponibilizar seus acervos, atualizá-los e disseminá-los bem como promover ações de incentivo ao hábito de leitura. Segundo a UNESCO, a meta deve ser de 2 livros por habitante, Na capital, esse índice é de 0,22 e só dois distritos atingem o patamar mínimo: Sé e Liberdade, com 16,59 e 2,6. O alto número da Sé é explicado pela presença da Biblioteca Mário de Andrade, com 320.272 volumes, combinada à pequena população, de 19.464 moradores. O levantamento não inclui os dez bosques de leitura que funcionam em parques nos fins de semana e as 39 bibliotecas dos CEUs. Segundo a prefeitura, foram investidos 11,3 milhões de reais na compra de 546.767 títulos entre 2005 e 2011. Marília com 220 mil habitantes teria que ter um acervo de 440 mil exemplares. Sabemos que embora esta meta seja impossível de acontecer, há uma luz no fim do túnel, pois de acordo com a Lei Federal 12.444, a meta nacional será de implantação de Bibliotecas escolares em todas as escolas do país que obrigatoriamente terão que ter 1 título por aluno. Aliado a Programas de incentivo a leitura que serão desenvolvidos por bibliotecários que serão contratados, teremos seguramente grandes avanços de acervos e de Leitores. A fase escolar é determinante para incentivar o hábito de leitura, pois a criança esta descobrindo este universo de encantamento. Uma estória contada durante a “hora do conto” que acontece nas Bibliotecas, as leituras dramatizadas, a produção de textos, publicações de livros de poemas como já acontece na escola EMEF Geralda César Villardi em Marília despertam na criança a curiosidade e o prazer pela leitura. São ações que contribuem para que o estudante passe a escrever e falar melhor pois pela leitura expandimos nosso vocabulário e nos sentimos muito mais seguros para expressarmos nossas ideias.
Os ilustres marilienses que foram homenageados pela Câmara Municipal em seus discursos sempre dão grande ênfase à importância da Biblioteca Municipal de Marília em suas vidas. O Presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, falou com emoção “das horas que passou dedicando a leitura na Biblioteca Municipal...”, Walcir Carrasco, grande nome da dramaturgia brasileira lembra a importância e o fascínio que a literatura despertou-lhe na adolescência frequentando a Biblioteca.
Oswaldo Mendes, autor e teatrólogo de destaque no cenário nacional falou com emoção na abertura da IV Mostra de Curta-metragens dos livros lidos na Biblioteca e quanta influencia exerceram em sua vida. Sempre lembrado nos discursos dos queridos e ilustres marilienses é o nome de João Mesquita Valença. Bibliotecário dedicado era também muito admirado como poeta e autor do livro “O estranho”, publicado em 1956, cujo exemplar esta na coleção da Biblioteca Pública que hoje leva seu nome. Junto ao amigo o também poeta Flávio Sampieri, publicou o jornal "O Caiçara” onde eram revelados outros poetas de nossa cidade. Na década de 40 a 50 a Biblioteca Pública chamava-se Thomaz Gonzaga e funcionou em vários lugares antes de instalar-se no prédio denominado Gymnasium na Avenida Sampaio Vidal. Inicialmente localizou-se na Rua 4 de Abril, depois na Rua Arco-Verde e nos anos 60 transferiu-se para o prédio atual onde também estão a Biblioteca Braille denominada Delmir Cerissa e setor BIM- Biblioteca Infantil Municipal denominado Renan Lombardi Cazo. Através da Lei 1366 de 29 de novembro de 1966 a Biblioteca pública passa a denominar-se João Mesquita Valença homenagem ao bibliotecário-poeta que incentivou e difundiu a leitura e a literatura nesta maravilhosa terra que já nasceu inspirada na poesia e nas letras.... “Marília de Dirceu”.
Wilza Aurora Matos Teixeira é membro da Comissão de Registros Históricos de Marília






